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Tumulto no pré-carnaval reflete falha da Prefeitura e protagonismo maior de empresas, diz professor

Para o especialista da Universidade Federal da Bahia e autor do livro 'Direito à Folia', Guilherme Varella, dois blocos não poderiam ocorrer tão perto um do outro

8 fev 2026 - 21h55
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As cenas de tumulto e caos que marcaram o pré-carnaval de São Paulo na tarde deste sábado, 8, durante o bloco da Skol com o DJ Calvin Harris são reflexo de um processo de falta de compreensão cultural da festa por parte da Prefeitura de São Paulo e do protagonismo cada vez maior de grandes marcas e empresas no evento. A avaliação é do professor da Universidade Federal da Bahia e autor do livro Direito à Folia, Guilherme Varella.

Para o professor, a Prefeitura falhou e sua responsabilidade é evidente. "Quem tinha a necessidade de falar que dois blocos desse tamanho não poderiam sair ao mesmo tempo era a Prefeitura", diz. "Se a prefeitura cedeu para acomodar um bloco de patrocinador é só mais uma prova desse processo."

Varella explica que o carnaval de São Paulo passou por muitas mudanças desde o início da década passada, quando a gestão de Fernando Haddad (PT) passou a estimular políticas públicas para a festa.

O especialista diz que, dali em diante, o carnaval de rua de São Paulo, que era sufocado pelo poder público, passou a contar com medidas centradas na secretaria de Cultura para organizar e fomentar a festa.

Segundo Varella, no entanto, a partir da gestão João Doria (PSDB), organização passou para as subprefeituras, em uma lógica não mais cultural, mas de segurança urbana e zeladoria.

Isso, para o especialista, prejudicou o caráter popular da festa. " A política pública para o carnaval trabalha num ponto ótimo entre regulação e a permissão. Mas é muito difícil de encontrar esse equilíbrio", diz. " A prefeitura usa o carnaval como plataforma para mostrar serviço na segurança pública e para dar atenção aos grandes patrocinadores."

Público participa do bloco “Acadêmicos do Baixo Augusta”, na rua da Consolação, durante o pré-carnaval
Público participa do bloco “Acadêmicos do Baixo Augusta”, na rua da Consolação, durante o pré-carnaval
Foto: Jean Carniel/Estadão / Estadão

Esses blocos grandes, como o bloco Skol, no entanto, são apenas 10% do total dos blocos da cidade, segundo o especialista.

Ainda de acordo com Varella, o sistema de inscrição dos blocos na cidade prevê que cada bloco escolha a data e o local que vai sair. Quando há conflito de interesses, uma negociação acontece.

"Quando são blocos menores, que estão ali pela folia, a conversa é mais tranquila", diz. "O planejamento da prefeitura falhou porque é possível que os blocos conversem e negociem pra acomodar os interesses. Era possível evitar uma coisa como essa."

Estadão
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