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Extremistas de direita voltam a protestar no leste da Alemanha

30 ago 2018
17h23
atualizado às 21h50
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Nova marcha anti-imigração em Chemnitz é acompanhada por grande números de policiais e transcorre sem incidentes. Em visita à cidade, governador apela por tolerância. Contraprotesto em Berlim reúne milhares.Centenas de pessoas atenderam à uma convocação da extrema direita e saíram nesta quinta-feira (30/08) às ruas de Chemnitz, no leste da Alemanha, em protesto contra a política de refugiados do governo alemão, enquanto autoridades locais se reuniam para discutir a recente onda de violência contra estrangeiros na cidade.

Manifestantes do lado de fora do estádio de futebol da cidade, onde governador se reunia com cidadãos
Manifestantes do lado de fora do estádio de futebol da cidade, onde governador se reunia com cidadãos
Foto: DW / Deutsche Welle

A manifestação foi convocada pelo grupo de extrema direita Pro Chemnitz, que possui cerca de 18 mil seguidores e esteve no centro de outros protestos semelhantes realizados na cidade ao longo da semana, instigados pela morte a facadas de um cidadão alemão no fim de semana passado.

O incidente, cujos principais suspeitos são um sírio e um iraquiano, trouxe a xenofobia de volta às manchetes do país e, em meio aos protestos, levou extremistas de direita a perseguirem e atacarem pessoas que aparentavam ser imigrantes ou estrangeiras.

Nesta quinta-feira cerca de mil pessoas estiveram reunidas para uma terceira marcha pela antiga cidade comunista. Não houve, contudo, registros de atos violentos contra estrangeiros como os registrados nos protestos anteriores, informou a polícia, que acompanhou o protesto com um grande contingente.

Segundo agências de notícias, muitos dos manifestantes se recusaram a falar com jornalistas, mas os poucos que se pronunciaram disseram se sentir abandonados pelos políticos e que estavam enraivecidos pelos crimes cometidos por imigrantes no país.

A polícia da Saxônia, onde fica Chemnitz, recebeu reforços de outros cinco estados e da polícia federal, após ter sido criticada pelo baixo número de oficiais escalados para conter os cerca de 7 mil manifestantes - entre neonazistas e hooligans enraivecidos - nos atos de domingo e segunda-feira.

Alguns dos presentes nesta quinta-feira carregavam bandeiras da Alemanha e, ao lado de um cartaz escrito "o povo está se levantando", gritavam "imprensa da mentira", aparentemente em referência aos relatos de que imigrantes foram atacados por manifestantes.

Um porta-voz do protesto denunciou ainda a veracidade das gravações em vídeo que, segundo afirmou a própria chanceler federal alemã, Angela Merkel, mostravam "pessoas caçando outras, distúrbios e ódio nas ruas" de Chemnitz.

Enquanto a manifestação acontecia, o governador da Saxônia, Michael Kretschmer, fazia uma visita à cidade, onde participou de um fórum público com centenas de moradores preocupados com a situação em Chemnitz. Em pronunciamento no estádio de futebol do município, ele alertou contra a xenofobia e fez um apelo por tolerância.

"O princípio da nossa vida em sociedade é a democracia e o Estado de Direito", afirmou o governador, que ainda pediu um minuto de silêncio em lembrança ao alemão morto no fim de semana. "Vamos fazer com que este crime seja esclarecido."

Antes Kretschmer prometera garantir que "aqueles que percorreram a cidade fazendo a saudação nazista também sejam condenados". Durante protestos anteriores, vários extremistas fizeram a saudação nazista, que é proibida na Alemanha. A polícia abriu inquérito para investigar ao menos dez casos.

Mandado de prisão vazou

A violência nas ruas de Chemnitz, segundo autoridades alemãs, foi alimentada por notícias falsas sobre as circunstâncias da morte divulgadas nas redes sociais, incluindo a alegação de que a vítima estava defendendo uma mulher supostamente atacada pelos estrangeiros.

A polícia refutou essa informação, dizendo que se tratou apenas de uma briga entre dois grupos. O alemão de 35 anos foi assassinado a facadas na noite de sábado para domingo, e dois homens, um iraquiano de 22 anos e um sírio de 23, foram presos e são apontados como os responsáveis.

O mandado de prisão de um dos suspeitos acabou vazando, o que reacendeu alegações de longa data de possíveis ligações entre a polícia da Saxônia e grupos de extrema direita.

Nesta quinta-feira a Secretaria da Justiça do estado informou que um funcionário da Justiça de Dresden foi suspenso do cargo por ter divulgado ilegalmente o documento, revelando assim a identidade do suspeito.

O mandado, com alguns detalhes apagados, foi publicado na página da Pro Chemnitz na internet, bem como num site do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD). O vazamento de um mandado de prisão é punível na Alemanha com até um ano de prisão.

Contraprotesto em Berlim

Em condenação aos protestos anti-imigração e aos relatos de violência contra estrangeiros em Chemnitz, milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Berlim nesta quinta-feira, convocadas por grupos políticos e ativistas de esquerda, incluindo uma ala do partido A Esquerda na cidade.

Segundo a polícia, cerca de 5 mil pessoas participaram do contraprotesto no bairro de Neukölln, conhecido por ter moradores de diversas nacionalidades. O órgão informou ainda que a manifestação foi previamente comunicada por um cidadão às autoridades locais, mas prevendo um público de somente cem pessoas.

Levantando cartazes com dizeres como "Fora, nazistas", os manifestantes protestaram na capital alemã sob o lema "Em Chemnitz ou em Neukölln, tomem as ruas contra a violência de extrema direita".

Um protesto semelhante em Münster, no oeste da Alemanha, reuniu cerca de 2 mil pessoas contra a xenofobia e agressões extremistas nesta quinta-feira.

EK/afp/ap/dpa/rtr

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