EUA suspendem vistos para crianças de Gaza com necessidade de tratamento médico
Os Estados Unidos interromperam neste fim de semana a emissão de vistos para crianças da Faixa de Gaza em necessidade de cuidados médicos em território americano. A medida foi comunicada pelo Departamento de Estado no sábado, após pressões de setores ligados à extrema direita.
Em nota divulgada no X, o órgão informou que "todos os vistos de visitante para indivíduos de Gaza estão sendo suspensos enquanto conduzimos uma revisão completa dos procedimentos usados para emitir um pequeno número de vistos médico-humanitários nos últimos dias".
O bloqueio afeta diretamente um programa humanitário de longa data, que vinha permitindo a vinda de crianças palestinas feridas pela guerra para hospitais americanos. Médicos envolvidos na iniciativa afirmam que o fim temporário das autorizações ameaça a vida de dezenas de jovens pacientes, sobretudo os que sofrem amputações e traumas graves, sem chance de atendimento adequado em Gaza.
Pressão de influenciadora levou à decisão?
A suspensão ocorreu após campanha da influenciadora Laura Loomer, conhecida pela proximidade com o ex-presidente Donald Trump e por declarações abertamente islamofóbicas. Ela divulgou vídeos de crianças palestinas desembarcando nos Estados Unidos, um deles de um paciente que receberia próteses, e afirmou ter "obtido com exclusividade" as imagens — que, na verdade, estavam disponíveis em perfis de uma ONG médica e do jornal Houston Chronicle. Em suas publicações, Loomer chamou os refugiados de "invasores islâmicos" e associou a comemoração das crianças a "cânticos jihadistas".
A influenciadora também questionou em posts: "Quem no Departamento de Estado aprovou os vistos para palestinos vindos de uma zona controlada pelo Hamas?". Em outra mensagem, citou o secretário de Estado Marco Rubio: "Por que alguém no Departamento de Estado daria vistos para indivíduos que vivem em Gaza, que é governada pelo Hamas?".
Além das acusações, Loomer espalhou informações falsas, como a alegação de que 95% dos habitantes da região votaram no Hamas. Pesquisas oficiais mostram que o grupo venceu apenas 44% das listas partidárias nas eleições legislativas de 2006, as últimas realizadas na Palestina, e perdeu parte importante da disputa para o partido Fatah.