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Em Munique, Rubio prega aliança conservadora de EUA e Europa

14 fev 2026 - 09h11
(atualizado às 09h33)
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Chefe da diplomacia americana condena "erros" para soberania nacional, apelando a "fé cristã compartilhada". Europeus ponderam afastamento de um parceiro lido como cada vez mais instável.Diante de líderes políticos e militares, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pregou uma aliança conservadora com a Europa durante o seu discurso deste sábado (14/02) na Conferência de Segurança de Munique. Na chefia da diplomacia americana, ele condenou o que vê como "erros" de ambas as partes na manutenção da soberania nacional e apelou a uma "fé cristã compartilhada".

"Nós cometemos estes erros juntos, e juntos nós devemos ao nosso povo encarar estes fatos e seguir adiante," disse. Mais de 60 chefes de Estado e de governo participam da 62ª edição da conferência. "Nós estamos preparados, se necessário, para fazer isso sozinhos. Mas é nossa preferência fazermos isso juntos."

Embora tenha adotado um tom mais calmo e tranquilizador do que o que se ouviu frequentemente da Casa Branca ao longo do último ano, Rubio deixou claro que o governo Trump mantém suas posições.

Ele explicitamente afirmou que a "imigração de massa" desestabiliza o Ocidente, num momento de esmagamento por agentes federais da comunidade imigrante nos EUA. Também condenou a "perda de controle das cadeias de suprimento" do comércio global para a China.

Por sua vez, os governos europeus têm ponderado maneiras de reduzir a sua dependência em relação aos EUA. Pouco antes da esperada fala de Rubio, um dos primeiros painéis deste sábado chamava a uma discussão intitulada "defender-nos sem os EUA?", a partir de uma perspectiva regional.

A Europa percebe os Estados Unidos, há um ano sob o segundo mandato do presidente Donald Trump, como parceiro cada vez mais instável. A conferência é uma oportunidade de vislumbrar os planos da Casa Branca para o futuro em matéria de segurança, na esteira de ameaças erráticas do republicano.

"Fé cristã compartilhada"

No discurso, o secretário americano pareceu também responder aos aliados que criticam Trump por quebrar o decoro, afirmando que isso se deve ao fato de "nos preocuparmos profundamente com o nosso futuro comum".

Ele falou várias vezes sobre uma "fé cristã" dividida entre os EUA e a Europa, chamando o próprio país de "filho da Europa", sem fazer referência às comunidades indígenas, afro-americanas e imigrantes que moldaram a cultura americana. Olhando para o passado, criticou o "comunismo sem Deus" e caracterizou os movimentos de independência como "revoltas anticoloniais".

Rubio ainda observou que Washington quer "aliados que possam se defender" tão bem que os inimigos temam atacá-los. Anteriormente, ele já acusou outras nações ocidentais de terem medo de lutar por si mesmas.

Neste ano, as ameaças de Trump contra a Groenlândia distenderam a relação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), acusada pelo republicano de insuficientemente proteger uma região estratégica.

Segundo Rubio, os EUA não tentam enfraquecer a Otan. Ele ainda criticou a Organização das Nações Unidas (ONU) pela sua incapacidade de resolver conflitos, mérito que Trump clama para si, e defendeu uma reforma.

Antes de embarcar para Munique, Rubio alertara que uma "nova era" da geopolítica estava começando. Ele é o mais alto funcionário americano a participar da conferência.

Merz: "Maga não é nossa guerra cultural"

Na sexta-feira, o primeiro dia da conferência, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, falou em favor de uma nova "parceria transatlântica". Segundo ele, nem os Estados Unidos têm poder suficiente para se isolar num mundo de grande rivalidade entre potências, em que a ordem internacional está sendo destruída.

"Essa ordem, por mais imperfeita que fosse mesmo em seus melhores momentos, não existe mais nessa forma", disse Merz, referindo-se a uma nova era perigosa de "política das grandes potências", na qual as liberdades estão "em risco".

Ele fez ainda referência ao muito comentado discurso do vice-presidente dos EUA, JD Vance, na edição do ano passado da mesma conferência, a primeira desde o retorno de Trump à Casa Branca. Na ocasião, o número 2 do governo americano repreendeu os europeus por supostamente falhar na proteção da liberdade de expressão e pelas suas políticas de imigração.

"Uma divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos. O vice-presidente J.D. Vance disse isso abertamente aqui em Munique há um ano", afirmou Merz na sexta-feira. "Ele estava certo. A guerra cultural do movimento Maga (em referência ao slogan Make America Great Again do trumpismo) não é nossa."

No ano passado, o chanceler federal acusou o vice americano de interferência nas eleições alemãs, depois que Vance declarou apoio velado à plataforma do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).

"A liberdade de expressão termina aqui conosco quando essa expressão vai contra a dignidade humana e a constituição. Não acreditamos em tarifas e protecionismo, mas no livre comércio," prosseguiu Merz na abertura da conferência deste ano.

O líder da maior potência europeia citou ainda a importância de parcerias com países como o Brasil como forma de encontrar um novo caminho na configuração atual do cenário internacional.

"Cláusula de defesa" em pauta

No pano de fundo, a invasão da Ucrânia pela Rússia está prestes a entrar no seu quinto ano, e a China se torna mais agressiva em relação a Taiwan. "Fazer parte da Otan não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa", afirmou Merz. "É também uma vantagem competitiva para os Estados Unidos. Portanto, vamos reparar e reviver a confiança transatlântica juntos."

Diante da atmosfera de insegurança, o chanceler federal alemão quanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já citaram a cláusula de defesa da União Europeia (UE) durante a conferência.

"Acredito que chegou a hora de dar vida à cláusula de defesa mútua da Europa", argumentou ela. "A defesa mútua não é opcional para a UE, é uma obrigação prevista em nosso próprio tratado, o Artigo 42 (7)."

O compromisso de "um por todos e todos por um" só tem peso "se for baseado na confiança e na capacidade", acrescentou ela. Merz, por sua vez, disse que a UE deve "especificar" o significado da cláusula.

O artigo estabelece que, em caso de ataque a um Estado-Membro, todos os outros têm a "obrigação de prestar ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance". Até agora, ele só foi ativado uma vez, pela França, após os ataques terroristas de 2015 em Paris.

Às margens, tom mais ameno

Rubio, que é frequentemente visto como mais diplomático e menos agressivo em relação à Europa do que JD Vance, se reuniu com Merz e com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, na sexta-feira.

Segundo Wadephul, a reunião reafirmou "nossos fortes laços transatlânticos, baseados em nossos interesses comuns e nosso acordo sobre muitas questões importantes — incluindo uma Otan forte e uma Europa forte."

Também viajam para Munique políticos americanos do Partido Democrata, como o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, e o senador Ruben Gallago, do Arizona. Eles podem pressionar os europeus a adotarem uma postura mais dura em relação ao governo Trump.

Ao lado primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, Von der Leyen pregou pela aproximação com os britânicos, apesar da sua saída da UE, quando o tema é segurança.

"Dez anos após o Brexit, o nosso futuro está mais ligado do que nunca," disse. "A UE, o Reino Unido - na verdade, toda a Europa - estamos nisto juntos. E permaneceremos sempre unidos."

O presidente francês, Emmanuel Macron, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, também participam da conferência deste ano.

(com dpa, AP, Reuters, AFP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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