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Em ação militar inédita, Israel ataca membros do Hamas no Catar

9 set 2025 - 13h40
(atualizado às 18h50)
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Israelenses confirmam ataque em Doha, que visou lideranças do grupo palestino. Governo do Catar, aliado dos EUA e que atua como mediador de cessar-fogo em Gaza, denuncia ataque como "violação de leis internacionais"Israel lançou nesta terça-feira (09/09) um inédito ataque contra membros do grupo Hamas que se encontravam em Doha, no Catar, país aliado do Ocidente, enquanto as negociações sobre o fim da guerra na Faixa de Gaza permanecem estagnadas.

Esta é a segunda vez que o Catar é diretamente atingido nos quase dois anos da guerra na Faixa de Gaza
Esta é a segunda vez que o Catar é diretamente atingido nos quase dois anos da guerra na Faixa de Gaza
Foto: DW / Deutsche Welle

"O exército e a agência de segurança interna israelense [Shin Bet] realizaram um ataque direcionado contra líderes do alto escalão da organização terrorista Hamas", informaram as Forças de Defesa de Israel (FDI). Um oficial militar confirmou a operação em Doha, denominada "Cúpula de Fogo", e disse que foi realizada mediante bombardeios aéreos.

Testemunhas disseram ter ouvido várias explosões em Doha. Nuvens de fumaça subiam de um posto de gasolina, ao lado do qual há um pequeno complexo residencial que alojava membros e negociadores do Hamas no Catar.

Uma hora após o ataque, ambulâncias e pelo menos 15 policiais e veículos do governo sem identificação ocupavam as ruas ao redor do local da explosão.

Fontes do Hamas relataram que as autoridades do grupo que integram a equipe de negociação do cessar-fogo sobreviveram ao ataque, mas que pelo seis pessoas morreram. Entre os mortos está Himam al-Hayya, filho do principal negociador do Hamas, Khalil al-Hayya.

O ataque ocorre apenas dois dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter instado os líderes do Hamas a considerarem seriamente o seu mais recente plano de cessar-fogo para Gaza.

Agora, o ataque israelense arrisca elevar as tensões e afastar ainda mais a possibilidade de uma solução negociada para a guerra em Gaza. Essa é a primeira vez desde o atual conflito no Oriente Médio que Israel executa um ataque em território de um país diplomaticamente próximo do Ocidente. O Catar é um dos aliados mais importantes dos EUA na região e abriga a maior base militar americana no Oriente Médio, com cerca de 10 mil soldados

Catar condena ataque como "covarde"

O porta-voz militar israelense, Coronel Avichay Adraee, afirmou que o ataque foi realizado pela Força Aérea de seu país. Autoridades israelenses ouvidas pela agência de notícias Reuters disseram que o bombardeio tinha como alvo os principais líderes do Hamas, incluindo Khalil al-Hayya, o líder exilado de Gaza e principal negociador do grupo.

O Catar, que atuou como mediador ao lado do Egito nas negociações para um cessar-fogo durante os quase dois anos da guerra em Gaza, condenou a ação como "covarde". O porta-voz do Ministério do Exterior catari, Majed al-Ansari, criticou o que chamou de "violação flagrante de todas as leis e normas internacionais".

O Catar "não tolerará esse comportamento israelense imprudente e a contínua perturbação da segurança regional, nem qualquer ato que vise sua segurança e soberania", acrescentou al-Ansari.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o ataque. "Condeno os ataques israelenses no Catar - uma clara violação da soberania e integridade territorial do país. O Catar desempenhou um papel positivo para alcançar um cessar-fogo e a libertação de todos reféns. Todos devem trabalhar para alcançar um cessar-fogo permanente, não destruí-lo", disse Guterres.

Vários governos mundo afora condenaram o ataque, entre eles os do Reino Unido, Canadá, Emirados Árabes Unidos, França, Espanha e Alemanha.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, divulgou um comunicado afirmando que conversou por telefone com o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani.

O texto diz que Merz elogiou os esforços de mediação do Catar para um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns do Hamas. O líder alemão ainda afirmou que a violação da soberania e integridade territorial do Catar pelo ataque israelense de hoje é inaceitável e que a guerra não deve se espalhar por toda a região.

Já a reação dos EUA, aliado tanto de Israel quanto do Catar, foi dúbia. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o ataque "não promove os objetivos de Israel nem dos Estados Unidos", mas que "eliminar o Hamas é um objetivo louvável".

Israel amplia intervenções no Oriente Médio

Ataques israelenses mataram vários líderes do Hamas desde os atentados terroristas de outubro de 2023, que mataram 1.200 pessoas, além de outras 251 que foram levadas como reféns pelos islamistas.

A ofensiva retaliatória de Israel no território palestino matou mais de 63.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

Desde o início do conflito em Gaza, Israel também realizou ataques aéreos e outras ações militares no Líbano, Síria, Irã e Iêmen.

No Líbano, as forças israelenses combateram o grupo Hezbollah, e no Iêmen lançou bombardeios contra os rebeldes houthis. Os dois grupos, que são apoiados pelo Irã, também atacaram Israel durante o conflito em Gaza.

O ataque desta terça-feira pode representar um golpe grave, senão fatal, nos esforços para alcançar um cessar-fogo, especialmente ter sido realizado no país que sediou várias rodadas de negociações.

jps/rc (DPA, Reuters)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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