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Pastor Everaldo sobre preconceito: 'o mais liberal é Deus'

Candidato do PSC à Presidência da República defende Marco Feliciano e propõe privatizações e redução no número de ministérios

7 ago 2014
16h47
atualizado às 17h49
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Principal surpresa na corrida eleitoral pela Palácio do Planalto, o candidato do PSC à Presidência da República, Pastor Everaldo, aposta em um discurso forte de apoio a privatizações e enxugamento da máquina pública para cativar o eleitorado mais conservador. Quarto colocado nas pesquisas - na consulta mais recente do Ibope, aparece com 3% das intenções de voto, apenas 5 pontos percentuais atrás de Eduardo Campos (PSB) -, o carioca de 58 anos defende as posições do deputado federal Marco Feliciano, seu colega de legenda, mas, a despeito das acusações de homofobia ao parlamentar, garante estar preparado para governar "para todos os brasileiros".

Pastor Everaldo pretende reduzir para 20 o número de ministérios e fala em privatizar estatais
Pastor Everaldo pretende reduzir para 20 o número de ministérios e fala em privatizar estatais
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra

"Temos que ouvir a todos da sociedade. Serei o presidente de todos os brasileiros, indistintamente, tem que ouvir a todos. Isso é uma coisa da democracia, por isso que tem o voto, a maioria vence a minoria. (...) Cada um tem a sua liberdade, e a liberdade termina no limite do outro”, afirmou Pastor Everaldo, em entrevista ao Terra. Apesar de dizer respeitar as liberdades individuais de todos os brasileiros, o candidato é categórico quando questionado sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Eu defendo o casamento que está previsto na Constituição: entre um homem e uma mulher. Mas eu digo que o maior liberal de todos é Deus, que deu livre-arbítrio a todos os homens. Eu tenho que respeitar a liberdade de cada cidadão."

Pastor da Assembleia de Deus, o candidato do PSC nasceu na favela do Acari, na zona norte do Rio de Janeiro, e já aos 14 anos teve a sua Carteira de Trabalho assinada. Após ter atuado como servente de pedreiro e office-boy, formou-se atuário pela Faculdade de Economia e Finanças do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, é vice-presidente do PSC, partido que ganhou projeção nacional na última legislatura, catapultado por polêmicas envolvendo a atuação de Feliciano à frente da Comissão dos Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, que teve forte resistência de ativistas que militam pela comunidade LGBT.

"O deputado Marco Feliciano foi eleito por São Paulo, foi indicado pela bancada e foi eleito na comissão pela maioria dos seus colegas de bancada. E é um deputado ficha limpa. Ele defendeu os pontos de vista que nós acreditamos. Eu não tenho divergência quanto ao ponto de vista dele de defender a família como nós acreditamos. Conforme está na Constituição Brasileira", diz Pastor Everaldo.

Apesar de se dizer um "homem de fé" e pertencer a um partido com forte penetração em comunidades católicas e evangélicas, Everaldo nega que a Igreja tenha influência em um eventual governo do PSC. "O PSC é um partido que se norteia pelos princípios cristãos. Não é ligado a nenhuma religião. Se nós defendemos o Estado mínimo necessário na economia, muito menos ainda na vida pessoal do cidadão. Temos no Brasil um Estado laico, onde cada um tem a sua fé, a liberdade de exercitar a sua fé, e até mesmo a não-fé", assegura.

Estado mínimo
Embora não fuja dos temas polêmicos, Pastor Everaldo concentra boa parte de suas propostas na diminuição da participação do Estado na economia, defendendo abertamente a privatização de empresas públicas como a Infraero e a BR Distribuidora e a redução no número de ministérios. "Nós precisamos reduzir essa máquina do Estado. Eu e você precisamos é mais Brasil e menos Brasília na vida de cada cidadão brasileiro. O servidor público tem que atender ao cidadão brasileiro. Hoje a lógica do atual governo é se servir do cidadão, em vez de o governo servir ao cidadão e à família brasileira", criticou o candidato, em recente visita a Porto Alegre (RS), onde participou de um encontro com prefeitos gaúchos.

A meta de Everaldo é reduzir o número de ministérios a 20 - "um para cada prédio na Esplanada". O candidato diz ainda estar estudando quais pastas seriam extintas, mas cita pelo menos três: a Secretaria das Relações Institucionais, a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Secretaria da Aviação Civil.

Segurança
Mesmo com o corte nos ministérios, o candidato do PSC projeta a criação de uma nova pasta, o Ministério da Segurança Pública, que seria responsável por integrar as forças policiais de todo o Brasil. "O cidadão de bem está preso dentro de casa. Nós vamos restabelecer a ordem e a autoridade da polícia", diz Pastor Everaldo, que perdeu no ano passado um irmão, vítima de uma bala perdida.

"No dia 22 de abril do ano passado, em uma das avenidas principais do Rio, houve um tiroteio entre polícia e bandido. Uma bala perdida de um dos bandidos atinge a cabeça de um jovem, e aquele jovem empreendedor, trabalhador, era meu irmão, filho do meu pai e da minha mãe. Eu sei o que o cidadão de bem sofre na pele com a falta de segurança”, afirma.

Além de pregar uma maior integração das polícias, Pastor Everaldo também quer reequipar as Forças Armadas, defendendo até mesmo a obrigatoriedade do serviço militar para homens e mulheres. Referindo-se à ditadura militar como “um período da história brasileira que trouxe as suas contribuições também”, o candidato cita Israel como exemplo a ser seguido.

"Vou reequipar para aproveitar a capacidade instalada das Forças Armadas, o know-how, a inteligência, para que todos os jovens possam servir às Forças Armadas e, a exemplo do que acontece em Israel, onde são três anos (de serviço militar obrigatório) para os rapazes e dois anos para as moças, mas todos os jovens entram lá e durante aquele período têm a oportunidade de escolher mais de 700 cursos profissionalizantes. Então nós vamos dar essa condição, o jovem vai para as Forças Armadas e ele também tem condições de aprender uma profissão, para sair dali treinado. (...) Vamos fazer isso daí, aproveitar tudo que for possível para tirar o jovem da ociosidade e poder dar uma capacitação para enfrentar a vida", propõe.

Fonte: Terra

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