Morar próximo à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) não impediu que a vendedora Dominique Mantuano, 19 anos, chegasse atrasada e perdesse o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela decidiu passar a madrugada fazendo uma preparação final para o Enem. Foi dormir às 7h, e não conseguiu acordar na hora programada
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Aos prantos, a vendedora lamentou ter perdido a tentativa de passar no exame mais uma vez
Foto: Cirilo Júnior / Terra
Moradora do Méier, ela ficou estudando até 7h e colocou o despertador para 11h, mas só conseguiu levantar às 12h. Os portões fecharam às 13h (horário de Brasília) e ela perdeu a prova
Foto: Daniel Scelza / Futura Press
No ano passado, ela foi aprovada, mas acabou desistindo do curso de Pedagogia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Dominique tentaria cursar Letras chegando à universidade pelo Enem. Leia mais -
Foto: Cirilo Júnior / Terra
Aos prantos, Caroline Medina, 18 anos, chegou atrasada para as provas do Enem em Porto Alegre, chorou muito e pediu inclusive um abraço da repórter de uma rede de TV que a entrevistava. "Eu cheguei aqui às 13h, entrei, mas no prédio eles fecharam a porta e não me deixaram entrar", disse a jovem afirmando ainda que já fez até piada sobre as pessoas que chegam atrasadas e choram por isso. Leia mais -
Foto: Daniel Favero / Terra
Mesmo chegando a tempo no local de provas, uma estudante de São Paulo foi impedida de realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) porque esqueceu um documento de identificação com foto
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Poucos antes de serem fechados os portões no campus Paraíso da Universidade Paulista (Unip), a candidata chorou tentando convencer os organizadores a permitir que ela entrasse na sala de aplicação do exame
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
A garota ficou ligou para parentes e pediu para que trouxessem sua carteira de identidade, porém o trânsito intenso em São Paulo impediu que eles chegassem a tempo. Leia mais -
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
A estudante Frankielle da Silva, 18 anos, não conseguiu chegar a tempo para fazer a prova do segundo dia de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Após muito choro, a jovem, que quer se tornar médica, desabafou: "É o meu sonho fazer medicina. Quando era criança eu disse pra minha mãe que seria pediatra e não vou desistir. Ano que vem vou conseguir passar"
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
O coletivo utilizado pela jovem deveria passar de 30 em 30 minutos nos dias de domingo, mas hoje demorou pelo menos 50 minutos. Leia mais -
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Lílian Rigotti, 17 anos, decidiu ir para a prova em Salvador (BA) de mototáxi, mas acabou queimando a perna no veículo
Foto: Ana Carolina Araújo / Especial para Terra
A jovem disse que ficou sentido uma 'dor horrível' durante todo o exame. Ainda indecisa entre os cursos de arquitetura, comunicação social e filosofia, ela prefere esperar os resultados do Enem para definir seu futuro profissional. Leia mais -
Foto: Ana Carolina Araújo / Especial para Terra
A foto do estudante Flávio Renato de Queiroz escalando a grade e aparentemente desesperado, por perder a prova do Enem, aplicado no último final de semana, correu as redes sociais, e virou notícia. No entanto, o que ninguém podia imaginar era que tudo se tratava de uma brincadeira
Foto: Rodrigo Milan / Futura Press
Em São Paulo, mãe de candidata se desesperou com o atraso e tentou impedir o fechamento de portão para que sua filha pudesse prestar o exame em universidade da Barra Funda
Foto: Paulo Preto / Futura Press
A mulher chegou a empurrar os aplicadores do exame para que a garota pudesse entrar na prova, sem sucesso
Foto: Paulo Preto / Futura Press
O portão foi fechado e a garota perdeu a oportunidade de prestar o Enem 2013
Foto: Paulo Preto / Futura Press
Daciele Araújo de Carvalho chegou atrasada e não conseguiu entrar no local de prova em Goiânia. Moro longe, tentei chegar mais cedo, mas não deu... Peguei o ônibus errado, lastimava, aos prantos, enquanto implorava ao guarda para deixá-la entrar. Leia mais -
Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra
O motoboy Helson Martins, 33 anos, foi parado pela polícia em Belo Horizonte e acabou se atrasando para a prova. "Fiz o uso indevido da buzina e o policial me parou. Estava com pressa, acabei ficando nervoso, mas agora é me preparar para a próxima. Não tem outro jeito", justificou. Leia mais -
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
A vendedora Jéssica Salgado, 23 anos, moradora de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, perdeu pela segunda vez um dia de provas do Enem. Leia mais -
Foto: Cirilo Junior / Terra
Antônio Pedro Tenuto, 16 anos, levou cópia da identidade e foi impedido de fazer o exame. Ele, porém, não estava no bloco dos atrasados. Pelo contrário. Chegou ao local onde o exame foi aplicado com bastante antecedência. Mas problemas com a documentação apresentada o impediram de fazer a prova. Leia mais -
Foto: Cirilo Junior / Terra
A estudante Carolina Cavalcanti, 16 anos, não contava com a alteração do horário do transporte público no fim de semana e perdeu a prova em Brasília
Foto: Gustavo Gantois / Terra
O ônibus também foi responsável pelo atraso de Clésio Araújo, 17 anos, morador do Gama, a 40 quilômetros de distância do centro da capital federal. Clésio Araújo foi fazer a prova na companhia da mãe, Doralice, e chegou 20 minutos depois. Leia mais -
Foto: Gustavo Gantois / Terra
Marly de Oliveira foi assaltada na noite de sexta, perdeu o cartão com o endereço e não encontrou o prédio onde deveria fazer a prova do Enem. Ela se inscreveu para tentar uma vaga em Direito. Leia mais -
Foto: Acácio Rodrigues / Especial para Terra
A estudante Sâmia Caroline Santos de Sousa, 18 anos, chegou 1 minuto atrasada vindo do bairro Santa Maria da Codipi, zona Norte de Teresina. Ela chorou ao se deparar com o portão fechado. Ela faria o Enem para Enfermagem. Leia mais -
Foto: Yala Sena / Especial para Terra
Perder o horário e encontrar os portões dos locais de prova do Enem fechados pode representar um baque depois de tanta preparação. Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba, em apenas um bloco do campus seis inscritos passaram por essa situação. Leia mais -
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra
Em Belo Horizonte, os portões dos locais de prova foram fechados às 13h para o último dia da maratona de provas do Exame Nacional do Ensino Médio
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
No domingo, os candidatos tiveram cinco horas e 30 minutos para responder 90 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, além da redação
Foto: Fabricio Escandiuzzi / Especial para Terra
Como acontece todos os anos, muitos inscritos chegaram em cima da hora e alguns chegaram após as 13h (horário de Brasília), quando os portões foram fechados. Caso dessa estudante em Goiânia
Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra
Em Goiânia, mais de 195 mil goianos se inscreveram para fazer as provas do Enem
Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra
Havia muito trânsito na região da Universidade Paulista, onde pelo menos outras duas grandes instituições também receberam provas
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Os portões foram fechados pontualmente às 13h pelo horário de Brasília, e muitos candidatos correram para chegar a tempo
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
No campus Paraíso da Universidade Paulista (Unip), alguns candidatos encontraram os portões fechados e não conseguiram realizar a prova
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Conformados, muitos dos atrasados viram que os portões estavam fechados e saíram sem causar tumulto
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Estudantes correram para chegar a tempo ao local de provas em São Paulo
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Diego Ferreira, 20 anos, saiu de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, para fazer a prova em Curitiba. Viajou sábado mesmo, chegou na rodoviária e pegou um ônibus do transporte coletivo para chegar ao local de prova. Ele também encontrou os portões fechados
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra
O cobrador de ônibus Adriano perdeu a prova no primeiro dia, mas no domingo chegou cedo para 'testar conhecimentos'. Leia mais -
Foto: Márcio Azevedo / Especial para Terra
Os amigos Rafael e Thiago chegaram 30 segundos após o fechamento dos portões em Manaus e perderam as provas de domingo do Enem 2013. Leia mais -
Foto: Márcio Azevedo / Especial para Terra
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As lágrimas de candidatos que perderam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesse fim de semana por chegarem atrasados aos locais de prova virou motivo de piada na internet. Afinal de contas, todo ano é a mesma coisa: dezenas de pessoas são fotografadas aos prantos porque o trânsito estava um caos, a chuva atrapalhou, o ônibus não chegou etc. No entanto, grandes eventos como o Enem ou os vestibulares tradicionais apenas evidenciam a "cultura da desorganização", segundo a psicóloga Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia do desenvolvimento humano pela USP.
Muitas pessoas são incapazes de cumprir prazos e de chegar no horário para um compromisso, que vai desde uma partida de futebol com os amigos a uma entrevista de emprego. Para Cristiane, essa desorganização do cotidiano pode trazer efeitos mais pesados quando acontece em momentos decisivos, como a prova do Enem.
"As pessoas que se atrasam normalmente são mais emocionais, têm dificuldade de organização cotidiana. Se fôssemos fazer uma enquete com os atrasados do Enem, acho que mais da metade iriam relatar isso como uma constante na vida", comenta a especialista. Ela diz que os atrasados normalmente têm uma percepção menos racional e objetiva do tempo, um comportamento definido ainda na infância.
"A preocupação com o horário é um comportamento que se aprende, que é estimulado desde a mais tenra infância, quando se estabelecem os horários do mama, de dormir, de brincar", afirma especialista, ao ressaltar o papel da família neste processo.
Responsável pelo apoio pedagógico de estudantes do Cursinho da Poli, de São Paulo, a pedagoga Alessandra Venturini afirma que a escola também tem papel importante neste processo, à medida que deve valorizar o respeito aos horários das aulas e das atividades. Ela conta que no cursinho, os simulados para os vestibulares e para o Enem são tratados com o mesmo rigor das provas oficiais. Quem chega atrasado é impedido de participar. "Os alunos ficam bravos, reclamam, mas nós não deixamos entrar porque o simulado tem esse caráter de ensinar, inclusive a respeitar o horário", afirma.
Alessandra lembra o caso de uma estudante do cursinho que chegou atrasada em dois simulados preparatórios para o Enem este ano. "Estávamos preocupados porque os alunos que têm tendência a se atrasar para os compromissos do estudo podem ter problemas também na hora da prova. Mas hoje ela chegou bem animada, me contando que tinha saído de casa bem cedo para não correr o risco de se atrasar de novo, na prova para valer."
A educadora ainda conta que sempre recomenda aos alunos que "não desafiem a sorte", já que os jovens têm a tendência de pensar que as coisas ruins só acontecem com os outros. "Eu sempre brinco com eles: 'querem ver fotos de vocês espalhadas por aí porque não chegaram a tempo de fazer a prova?'", diz a professora, ao lembrar que depois não adianta culpar a chuva ou o trânsito.
Imagens das provas nas redes sociais
Além de frisar há meses a necessidade de respeitar o horário das provas, o Ministério da Educação (MEC) também orientou os estudantes sobre a utilização de celulares nos locais de prova. No ano passado, 67 candidatos foram eliminados do Enem depois de publicar imagens dos cadernos de prova nas redes sociais. Porém, este ano novos casos foram registrados e pelo menos 36 foram excluídos da seleção.
De acordo com a pedagoga Alessandra Venturini, muitos jovens agem na inocência, não acreditam que uma publicação na rede social - tão comum entre os amigos - possa representar a eliminação do certame. "Infelizmente, muitos não tem noção de que isso compromete a segurança de toda uma avaliação que foi pensada e planejada para dar tudo certo", diz. No entanto, ela diz que o número de eliminados já foi bem menor este ano - pelo menos a metade - e que o rigor por parte do governo em relação a esses casos têm ajudado a reduzir o problema.
Como em todas as provas, o Enem tem sempre candidatos que se atrasam e acabam não conseguindo entrar nos prédios e nas salas para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio. O Tumblr AtraseiEnem tirou proveito da situação para fazer comédia com fotos dos alunos que se atrasaram em 2013
Tumblr classifica foto de mãe tentando forçar a entrada da filha, em São Paulo, como a 'melhor foto' entre as de atrasos para o Enem neste ano
Foto: Paulo Preto / Futura Press
'Todo ano alguém tenta escalar a Uninove', lembra o Tumblr, em referência a um dos maiores locais de prova na capital paulista
Foto: Rodrigo Milan / Futura Press
Tumblr destaca o fato de candidata ter pedido abraço para a reporter que a entrevistava
Foto: Daniel Favero / Terra
'Você não pode sentar com a gente', brinca o Tumblr de humor com candidata que chora do lado de fora do local de prova
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
Tumblr brinca com desapontamento de candidata que perdeu a prova por chegar depois de os portões fecharem
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
Candidata corre para entrar enquanto fiscais fecham os portões
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
Estudante carioca chora após se atrasar para a prova porque estudou até tarde na véspera
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
Candidata sobe na grade no desespero de conseguir fazer a prova do Enem 2013
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
Candidato tentou entrar pela fresta da grade na prova que é usada por universidades com parte do processo seletivo
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
'Nem queria mesmo' diz a legenda do Tumblr que faz humor com candidatos que perderam a prova do Enem
Foto: Gustavo Gantois / Terra
Candidata chora ao telefone após perder a prova por chegar atrasada
Foto: AtraseiEnem/Tumbr / Reprodução
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Enem
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado há 15 anos e se consolidou como um dos índices de avaliação da educação brasileira e também como principal meio de acesso às universidades públicas do Brasil. Atualmente, apenas duas das 10 principais instituições federais ainda não adotaram a prova para ingresso por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) – situação que, seguindo a tendência atual, deve atingir 100% de adesão nos próximos anos.
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