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Entenda o que é o Regn-CoV2, coquetel de remédios contra covid aprovado na Anvisa

Produtos não terão venda em farmácias e são indicados para casos leves e moderados do novo coronavírus; ANS diz que planos devem cobrir medicamentos se houver indicação médica

20 abr 2021
18h32 atualizado às 20h07
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18h32 atualizado às 20h07
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em reunião nesta terça-feira, 20, a autorização temporária do uso emergencial do coquetel Regn-CoV2 no tratamento de pacientes com a covid-19. Liberado em caráter experimental, o tratamento reúne os medicamentos casirivimabe e imdevimabe (cujos nomes originais são, respectivamente, casirivimab e imdevimab) e é destinado a casos leves e moderados de pacientes com diagnóstico em laboratório do novo coronavírus.

A venda em farmácias será proibida e o uso será restrito a hospitais. Esses remédios, que já têm aval de adoção contra o vírus em países como Estados Unidos e Itália, são destinados a pacientes que não estão internados e que não necessitam de suplementação de oxigênio de alto fluxo ou ventilação mecânica. O primeiro medicamento com uso emergencial aprovado no Brasil foi o remdesivir, em março - o segundo é o Regn-CoV2.

Leia algumas perguntas e respostas sobre o tratamento:

O que é?

Medicamento composto por anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, administrados em conjunto. Os anticorpos monoclonais são proteínas feitas em laboratório e que imitam a capacidade do sistema imunológico de combater o vírus. O tratamento foi desenvolvido pela empresa americana Regeneron Pharmaceuticals, em parceria com a suíça Roche, responsável pelo pedido de autorização de uso no Brasil.

Para quem é indicado o medicamento?

Para diagnosticados com a covid-19 que tenham quadros leves e moderados da doença e que possuam alto risco de progredir para formas graves. É preciso atender a pelo menos um dos seguintes critérios: índice de massa corporal (IMC) superior a 35, doença renal crônica, diabetes, doença imunossupressora, estar em tratamento imunossupressor e ter 65 anos ou mais. Para pessoas com 55 anos ou mais, o tratamento é para quem tem doença cardiovascular, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica ou respiratória crônica. No caso dos que têm de 12 a 17 anos, é voltado a adolescentes com IMC superior ou igual a 85 (com base nos gráficos de crescimento do CDC, o Centro de Controle de Doenças dos EUA), doença falciforme, cardíaca congênita ou adquirida, distúrbio de neurodesenvolvimento (como paralisia cerebral), dependência tecnológica relacionada à medicina (como traqueostomia e gastrostomia), ventilação com pressão positiva não relacionada à covid, asma, via aérea reativa ou outra doença respiratória crônica que requer medicação diária para controle.

E para pacientes em estado grave?

De acordo com dados do estudo clínico, os anticorpos não demonstraram benefício em pacientes internados, podendo até estar associados a desfechos clínicos piores quando usados.

O anticorpo estará disponível em farmácia?

Não. Serão administrados somente em ambiente hospitalar. A Anvisa destaca que o casirivimabe e o imdevimabe não estão autorizados para uso em pacientes internados pela covid ou que necessitam de oxigênio de alto fluxo ou ventilação mecânica em seus tratamentos.

Quanto custa o medicamento?

Em janeiro, a fabricante Regeneron divulgou ter firmado acordo com o governo dos Estados Unidos para fornecer 1,25 milhão de doses até 30 de junho, por meio de um contrato de U$ 2,625 bilhões. Isto é, cerca de U$ 2,1 mil (cerca de R$ 11, 6 mil) por dose.

O remédio está disponível no SUS?

O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que "os medicamentos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) devem ter o registro definitivo aprovado pela Anvisa". Esse não é o caso do novo tratamento, autorizado exclusivamente para uso emergencial.

E há cobertura pelos planos de saúde?

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que tanto o remdesivir (vendido com o nome comercial veklury) quanto a combinação do casirivimabe e do imdevimabe serão de "cobertura obrigatória pelas operadoras de plano de saúde", quando indicados pelo médico para o tratamento de pacientes da covid, conforme os "termos das bulas registradas na Anvisa". Segundo o órgão regulatório, a Lei 9.656/1998 "prevê a obrigatoriedade do fornecimento de medicamentos, conforme prescrição do médico assistente, administrados durante o período de internação hospitalar". O novo coquetel aprovado, porém, não é recomendado para casos de internação.

O medicamento serve para prevenir a doença?

Não.

Como é feita a aplicação do medicamento?

Por infusão intravenosa, injeção.

O anticorpo pode causar efeitos colaterais?

Sim. Os possíveis efeitos incluem reação alérgica, febre, calafrios, urticária, coceira e rubor. De acordo com a Anvisa, a segurança e a eficácia dos anticorpos continuam a ser avaliadas por meio de estudos que estão em andamento.

Como esses dois anticorpos agem no combate ao vírus?

O casirivimabe e o imdevimabe são especificamente direcionados contra a proteína de pico (spike) do Sars-CoV-2, projetada para bloquear a adesão e a entrada do vírus em células humanas.

Em quanto tempo o medicamento faz efeito?

Em um ensaio clínico com pacientes, os anticorpos, administrados em conjunto, mostraram reduzir a internação relacionada à covid e consultas de emergência em pacientes com alto risco de progressão da doença, no prazo de 28 dias após o tratamento, quando comparados ao placebo. / COLABOROU JOÃO PRATA

Estadão
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