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Etiqueta eletrônica em supermercado não muda de preço de acordo com cliente

WALMART DOS EUA TEM SUBSTITUÍDO ETIQUETAS DE PAPEL, MAS GARANTE QUE NÃO HÁ MUDANÇAS PARA QUEM COMPRA; ATUALIZAÇÃO PREOCUPA PARTE DOS AMERICANOS, QUE TEME ADOÇÃO FUTURA DE SISTEMA DE VALORES DINÂMICOS

30 jul 2026 - 17h10
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O que estão compartilhando: vídeo mostra prateleira de supermercado com etiquetas eletrônicas que mudam de preço. A autora da postagem afirma que o Walmart, nos Estados Unidos, altera o valor dos produtos de acordo com cada cliente, seguindo os padrões de consumo ditados por um algoritmo.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. As etiquetas eletrônicas não são capazes de identificar quem é o cliente à sua frente, nem de definir um preço com base em hábitos de consumo. Ao Verifica, o Walmart confirmou estar substituindo etiquetas de papel por digitais, chamadas Electronic Shelf Labels (ESL), para facilitar o trabalho de precificação. A rede negou adotar preços dinâmicos e disse que os valores são os mesmos para todos os clientes, independente da demanda ou da hora do dia.

A reportagem procurou a autora da postagem, mas não teve retorno.

Saiba mais: a autora do conteúdo defende que os preços do Walmart são estabelecidos a partir da vigilância dos padrões de consumo do cliente. Como exemplo, afirma que se uma pessoa se alimenta quase exclusivamente de carne, ao ir ao supermercado, vai encontrar um preço maior desse produto que o encontrado por alguém que faz menor consumo dele.

Mas o Walmart afirma que não existe tarifa dinâmica, muito menos com base no perfil de consumo do cliente. Segundo a empresa, os mostradores operam em um sistema fechado, que não interage com os compradores, nem coleta informação sobre eles.

"Os funcionários revisam e implementam as alterações aprovadas por meio de um sistema seguro, geralmente fora do horário de funcionamento das lojas, para que os preços permaneçam estáveis ??e consistentes ao longo do dia", informou.

Um texto publicado no site do Walmart diz que, atualmente, cerca de 2.300 lojas da rede nos EUA utilizam as etiquetas digitais nas prateleiras. A empresa pretende adotar a tecnologia em toda a rede no próximo ano.

O Walmart alega que, com o sistema manual de precificação, as atualizações de novos produtos, promoções e reduções de preço levam horas ou até dias para serem concluídas. O novo formato, segundo a empresa, economiza tempo e é mais preciso.

A Federação Nacional do Varejo (NRF, na sigla em inglês) dos Estados Unidos afirma que as etiquetas eletrônicas não permitem preços dinâmicos ou alterações constantes, não rastreiam clientes e não coletam dados pessoais.

Um estudo publicado em junho por pesquisadores das universidades do Texas, da Califórnia e Northwestern concluiu que a adoção das etiquetas eletrônicas nas prateleiras não levou a um aumento repentino de preços nos supermercados.

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Como funcionam as etiquetas eletrônicas

Segundo o Financial Times, o maior fornecedor de etiquetas eletrônicas em solo americano é a empresa francesa de tecnologia Vusion, que diz já ter implantado o sistema em 62 países. Entre os clientes da Vusion estão empresas como Carrefour, na França, e Co-operative Group, no Reino Unido.

Uma representante da Vusion garantiu em uma comissão legislativa de Nova Jersey que as etiquetas não têm câmeras, sensores ou poder computacional necessários para ajustar os preços com base na identidade de um comprador que caminha pelos corredores da loja.

Em seu site, a Vusion explica que uma rede de comunicação sem fio conecta as etiquetas digitais das prateleiras ao banco de dados central da loja, tornando as atualizações automáticas e imediatas. Os estabelecimentos podem usar sistemas de ponto de venda ou de gestão empresarial como interface central.

Os dados podem ser transmitidos por diferentes tecnologias de comunicação sem fio, como Wi-Fi ou Bluetooth. As etiquetas permitem, também, que clientes acessem dados adicionais dos produtos por meio de seus celulares, utilizando, por exemplo, códigos QR.

Adoção de etiquetas digitais em supermercados gera debate nos EUA

O jornal Financial Times informou que a adoção do sistema por supermercados americanos tem encontrado resistência, alimentada pela indignação pública com o aumento dos preços dos alimentos e pelo medo da perda de empregos. Outra preocupação é que as novas etiquetas tragam para os estabelecimentos a precificação dinâmica.

O The New York Times mostrou que no estado americano de Nova Jersey foi sancionado recentemente um projeto de lei que proíbe a precificação por vigilância dos clientes - ainda que essa prática ainda não tenha sido adotada. A legislação suspende por um ano novas instalações de etiquetas eletrônicas de prateleira. Lojas do Walmart no estado já usam os dispositivos.

No estado de Nova York, legisladores tentam proibir etiquetas eletrônicas de preços em grandes supermercados e farmácias usando como argumento que elas representam uma ameaça iminente de serem usadas em práticas de controle de preços.

Ao The New York Times, Tom McBrien, advogado do Electronic Privacy Information Center, uma organização dedicada à privacidade na internet, afirmou que os preços nas etiquetas das prateleiras não mudam espontaneamente de acordo com algoritmos. Mas ele disse que os varejistas têm investindo em monitoramento de preços. Em geral, as práticas de precificação são obscuras e difíceis de rastrear.

O jornal recorda que, em 2024, a rede Westside Market chegou a testar um programa piloto de preços dinâmicos com uso de etiquetas digitais. Segundo a direção da empresa, o programa oferecia apenas descontos rastreando clientes que se movimentavam pela loja.

Por exemplo, se um cliente permanecesse em frente a um produto por 28 segundos, o estabelecimento poderia exibir um cupom em uma tela maior oferecendo desconto para uma marca específica. A identificação desse tempo era feita por um dispositivo de rastreamento no carrinho de compras.

O programa foi encerrado, mas a empresa estuda retomar a ideia. Não há registro de que as preferências dos consumidores estivessem sendo captadas individualmente.

Estadão
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