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Porta-aviões dos EUA esteve no Brasil para exercício militar; vídeo inventa ameaça de prisão a Lula

EM MAIO, EMBARCAÇÃO NUCLEAR USS NIMITZ ATRACOU NO RIO DE JANEIRO PARA EXERCÍCIOS CONJUNTOS COM FORÇAS DO BRASIL; MARINHA AMERICANA NÃO HAVER NAVIOS MILITARES NA COSTA BRASILEIRA ATUALMENTE

24 jul 2026 - 17h16
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O que estão compartilhando: que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria enviado um porta-aviões dos Estados Unidos para a costa brasileira. Esse seria um movimento semelhante ao realizado no Caribe na véspera da captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. O vídeo analisado insinua que o mesmo pode acontecer ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo viralizado foi publicado no TikTok em 16 de junho, mas não há registros de que naquele momento houvesse um porta-aviões dos Estados Unidos ancorado na costa brasileira.

Em 7 de maio, a embarcação militar americana nuclear USS Nimitz (CVN 68) chegou ao Rio de Janeiro para participar de exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil. As ações ocorreram entre os dias 11 e 14.

Nesta sexta-feira, 24, o Comando Sul americano informou ao Verifica não ter conhecimento da presença de nenhum navio da Marinha dos EUA na costa brasileira atualmente.

O autor do conteúdo, Carlos Heinar, afirmou ter feito o vídeo com base na visita do USS Nimitz. Ele reconheceu que o navio não está mais no Brasil, mas disse que sua postagem "não pretendia funcionar como um sistema de localização naval em tempo real". Ele acrescentou que usou "utilizou linguagem editorial de impacto para despertar a atenção do público".

Saiba mais: a checagem do vídeo foi solicitada por leitores por meio do WhatsApp (11) 97683-7490. Utilizando as ferramentas de busca avançada do Google, a reportagem não localizou qualquer notícia de que um porta-aviões norte-americano esteja atracado nesse momento na costa brasileira ou que isso tenha ocorrido ao longo de junho.

A presença do USS Nimitz no Brasil em maio foi amplamente divulgada. Como informou o Estadão, a ação marcou a retomada dos exercícios conjuntos entre militares brasileiros e americanos. Esses exercícios haviam sido suspensos em 2025 pelo Ministério da Defesa, em decorrência da crise diplomática entre os dois países.

Na época, a Embaixada Americana no Brasil esclareceu que a manobra era parte da missão Southern Seas 2026, conduzida pelas Forças Navais do Comando Sul dos EUA/4ª Frota. A operação incluía exercícios com dez países da América do Sul. O envio da embarcação, conforme os americanos, "simboliza o compromisso duradouro do país em trabalhar com parceiros como o Brasil para promover a segurança e a estabilidade regional".

O porta-aviões nuclear, que estava com cerca de 60 aeronaves embarcadas e uma tripulação de 5 mil homens, navegou acompanhado de mais três embarcações menores. O navio havia passado antes por Equador, Chile e Argentina, onde também havia organizado exercícios com as marinhas locais.

Segundo a Embaixada americana, as atividades no Brasil incluíram "exercícios de passagem, intercâmbios técnicos e engajamentos profissionais voltados ao fortalecimento da interoperabilidade, da prontidão operacional e da cooperação entre as duas Marinhas".

A Embaixada acrescentou que foram realizadas atividades de engajamento comunitário entre os marinheiros.

O que os Estados Unidos fazem no Caribe

A manobra conjunta realizada no Rio de Janeiro não tem relação com a ação que os Estados Unidos vem desenvolvendo no Caribe e no Pacífico desde outubro do ano passado. Nessas duas últimas regiões, os americanos atacam embarcações que o país associa ao tráfico internacional de drogas na América Latina.

Em maio, após deixar a América do Sul, o porta-aviões Nimitz entrou no Mar do Caribe e permaneceu alguns dias na área como parte da campanha do governo Trump para pressionar o regime de Cuba. O objetivo, como divulgou o Estadão, era fazer uma demonstração de força.

Em novembro de 2025, o americano USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, foi enviado para perto da Venezuela para reforçar a presença militar americana em meio ao aumento das tensões com a ditadura de Nicolás Maduro. Fotos do navio na região foram divulgadas pelos EUA.

Em 3 de janeiro, Maduro foi capturado por militares americanos em Caracas. Atualmente, ele está recolhido em uma penitenciária no Brooklyn e responde a quatro acusações relacionadas ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.

Tápio 2025: Exercício militar americano ocorre desde 2018 sob comando da FAB

É falso que Brasil tenha anunciado corte total de exportação de produtos para os EUA

Lula não é alvo americano como Maduro era

Ao contrário do que insinua o vídeo analisado, a situação de Maduro e de Lula não tem semelhanças.

Em julho de 2025, a Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) anunciou que pagaria uma recompensa de 25 milhões de dólares por informações que ajudassem a prender o venezuelano. Posteriormente, o valor subiu para 50 milhões de dólares.

Apesar das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos estarem gravemente abaladas, o presidente brasileiro não é alvo dos americanos por suspeita de envolvimento com o narcotráfico e nem há ordem de prisão contra ele por qualquer outra razão emitida. Inclusive, no dia em que o porta-aviões chegou ao Brasil, Lula esteve na Casa Branca, onde se reuniu com Trump.

Estadão
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