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Vídeo não mostra jogadora de basquete se recusando a competir com mulher transgênero

SOPHIE CUNNINGHAM APONTANDO ADVERSÁRIA EM DISCUSSÃO DURANTE PARTIDA; ATLETA DO INDIANA FEVER DISSE RECENTEMENTE SER CONTRA MULHERES TRANS EM COMPETIÇÕES FEMININAS

31 jul 2026 - 12h10
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O que estão compartilhando: que a jogadora de basquete Sophie Cunningham, do Indiana Fever, viralizou após se recusar a jogar contra uma mulher transgênero. O vídeo mostraria a atleta apontando a jogadora trans.

Vídeo não mostra jogadora de basquete se recusando a competir com mulher transgênero
Vídeo não mostra jogadora de basquete se recusando a competir com mulher transgênero
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A gravação não mostra Cunningham apontando o dedo para uma atleta trans. O vídeo registra apenas uma discussão durante uma partida entre os times Indiana Fever e Phoenix Mercury. A jogadora, na verdade, apontava para DeWanna Bonner, uma mulher cisgênero. Embora Cunningham tenha feito recentemente declarações críticas à participação de mulheres trans em competições femininas, elas não têm relação com a cena viral.

Saiba mais: A gravação foi feita durante uma partida disputada em 22 de junho deste ano. Mais de um mês depois, o mesmo vídeo passou a circular com a alegação de que mostraria Cunningham se recusando a competir contra uma mulher trans.

Conforme noticiado por veículos de imprensa (veja aqui e aqui), Caitlin Clark, do Indiana Fever, discutiu com DeWanna Bonner, do Phoenix Mercury. Cunningham foi uma das primeiras companheiras de equipe a se aproximar de Clark e, em seguida, passou a trocar provocações com Bonner. É desse momento que foi extraído o trecho viral, no qual Cunningham aponta para a adversária durante cerca de 22 segundos.

Uma das postagens analisadas explica na legenda o contexto real do vídeo, mas engana com o texto sobreposto à gravação: "Jogadora de basquete viraliza no mundo ao se recusar a jogar contra mulher trans". Nos comentários, usuários parecem ter entendido que a cena mostraria essa recusa.

Somente uma publicação alcançou mais de 3 milhões de visualizações e 22 mil interações no Instagram. Os conteúdos enganosos acumulam comentários ofensivos a pessoas trans.

Sophie Cunningham criticou a presença de atletas trans em ligas femininas

No último dia 21, em entrevista à ESPN, Cunningham disse ser contra a presença de mulheres trans em esportes femininos. Ela afirmou que queria "proteger" meninas nos vestiários e no esporte. Disse, ainda, que elas não deveriam competir contra "homens biológicos".

A atleta reafirmou sua posição nos dias seguintes. A jogadora declarou que não "desgosta de ninguém" e que "há espaço para amar a todos". Ressaltou, porém, que "existem direitos que precisam ser protegidos".

Cunningham foi defendida pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. "A reação negativa que ela está recebendo de democratas e figuras de esquerda em todo o país é espantosa", disse.

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De acordo com a AFP, a posição de Cunningham contrasta com as posturas da liga de basquete feminino dos EUA e de muitos de seus times. A liga não seguiu o exemplo de outras organizações esportivas americanas, como a Associação Nacional de Atletismo Intercolegial, que, na prática, proibiu atletas trans de participar de competições femininas.

"Nossas jogadoras são adultas conscientes, com suas próprias perspectivas e vozes, e essas opiniões pertencem a elas", afirmou o Indiana Fever em um comunicado sobre as declarações da jogadora.

Ainda de acordo com a AFP, muitos torcedores expressaram indignação com os comentários de Cunningham. O comentarista esportivo Chris Williamson os classificou como "repugnantes".

Como lidar com postagens do tipo: tirar imagens de contexto para atribuir outro sentido a elas é uma tática comum de desinformação. Para verificar o vídeo viral, a reportagem recorreu à busca reversa. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a descobrir se uma mídia já foi compartilhada antes na internet, em quais sites e em qual contexto. Aprenda aqui como fazer.

Estadão
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