Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Checamos

Publicidade

Por que continuamos a ter que desmentir boatos sobre a Smartmatic?

MENTIRAS SOBRE EMPRESA DE VOTAÇÃO ELETRÔNICA CIRCULAM NA INTERNET DESDE 2018 - POR QUE ELAS SÃO TÃO DURADOURAS?

27 jul 2026 - 16h43
Compartilhar
Exibir comentários

Em um encontro com embaixadores na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) citou uma velha conhecida dos checadores de fatos: a Smartmatic. Desde 2018, o Estadão Verifica e outros veículos que combatem a desinformação têm desmentido boatos sobre a empresa de tecnologia - que, é importante reforçar, nunca forneceu urnas ou softwares para as eleições brasileiras.

Em nota, Flávio sustentou que a manifestação dele sobre a Smartmatic foi interpretada de forma equivocada e afirmou não questionar "o sistema de votação brasileiro". Mas a fala do pré-candidato à Presidência acabou ressuscitando, nas redes sociais, velhos boatos falsos sobre fraudes em urnas eletrônicas.

Neste texto, vamos tentar responder: por que os boatos sobre a Smartmatic continuam a circular?

Um pouco de verdade ajuda a espalhar a mentira

Embora não seja verdade que a Smartmatic tenha participação no desenvolvimento das urnas eletrônicas, a empresa chegou a trabalhar com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2012, 2014 e 2016.

Como já mostraram checagens anteriores do Estadão Verifica, naquelas eleições, a empresa prestou serviço de conexão de dados e voz em Estados isolados do Brasil. Em 2012, a Smartmatic também atuou em serviços de suporte, como manutenção preventiva contínua. Em nenhuma das ocasiões, houve atuação para o desenvolvimento da urna eletrônica.

A partir dessa verdade, constrói-se a mentira de que a empresa teria participado de fraudes no Brasil. A realidade é outra: desde que se começou a usar urnas eletrônicas no País, não houve comprovação de fraude sistemática.

Quando a realidade é complexa, fica mais fácil simplificar

A Smartmatic esteve envolvida em eleições na Venezuela de 2004 a 2017, e encerrou as atividades no país após ela própria denunciar uma suspeita de fraude na divulgação oficial dos resultados por parte da Comissão Eleitoral da Venezuela em 2017.

A empresa disse em 2020 ao Comprova, parceiro do Estadão Verifica, que, enquanto atuou nas eleições venezuelanas, partidos políticos de todas as matizes venceram e perderam disputas. Em 2015, inclusive, a oposição venceu a maioria dos assentos na Assembleia Nacional.

Não há comprovação de que a empresa tenha participado de fraudes. Procurada novamente pelo Verifica em 2026, a Smartmatic informou que alegações de supostas fraudes foram desmentidas judicialmente. A empresa venceu diferentes processos contra canais e pessoas que divulgaram falsas acusações contra ela.

Explicar essa história toda leva tempo e, nas redes sociais, histórias mais simples são as que mais viralizam. Por isso, o que fica na cabeça é que a Smartmatic se envolveu com fraudes na Venezuela.

Personagens conhecidos causam reconhecimento

O ex-ditador Nicolás Maduro é um personagem frequente de boatos online. Seu governo aprofundou a crise econômica na Venezuela e foi marcado por denúncias de fraudes eleitorais. O envolvimento da Smartmatic com eleições venezuelanas faz com que seja mais fácil associar a empresa a fraudes.

O fato de que a imprensa venezuelana sofre há anos com repressão e controle governamental faz com que seja mais difícil obter informações confiáveis sobre o país. Com isso, fica fácil exagerar e até mesmo inventar histórias sobre a vida no outro lado da fronteira.

Atores políticos ajudam a reforçar o boato

Talvez os boatos sobre a Smartmatic seriam menos duradouros se ficassem restritos a círculos online. Acontece que as mentiras sobre a empresa foram amplificadas por figuras políticas de peso. Além de Flávio Bolsonaro, o presidente americano, Donald Trump, também divulgou afirmações falsas sobre a empresa.

Em 2020, advogados de Trump espalharam desinformação sobre a Smartmatic e outra empresa de voto eletrônico, a Dominion. Eles alegavam fraude nas eleições americanas - o que nunca foi comprovado.

Agora, em 2026, o governo americano divulgou um relatório de inteligência sobre fraudes eleitorais na Venezuela. A Casa Branca voltou a citar a Smartmatic, embora não confirme que tenha ocorrido manipulação de votos.

Viés de confirmação dá o empurrão final

Pessoas tendem a acreditar mais em notícias que confirmam crenças e valores pré-existentes. O nome disso é viés de confirmação.

Imagine que um eleitor está insatisfeito com o resultado de uma eleição. Toda sua família e seus amigos votaram em um candidato que acabou sendo derrotado. Essa pessoa pode acreditar mais facilmente em boatos falsos sobre fraude eleitoral.

Esse é um dos motivos pelos quais muitas pessoas acabam acreditando em mentiras sobre a Smartmatic e nos muitos boatos sobre as urnas eletrônicas.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra