Discurso de Lula é cortado para parecer que ele defende saúde apenas para quem pode pagar
AO LONGO DA FALA, PRESIDENTE SUSTENTOU QUE MAIS POBRES DEVEM TER ACESSO A ATENDIMENTO DE QUALIDADE
O que estão compartilhando: um vídeo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que saúde é para quem pode pagar e quem não pode deve morrer no esquecimento e na negligência do estado brasileiro.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A fala do presidente foi cortada. No discurso completo, feito no Rio de Janeiro, na sexta-feira, 17, Lula atribuiu o entendimento sobre o acesso restrito à saúde a pessoas que eram contra a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) na Constituinte de 1988.
Segundo ele, na época, muitos defendiam que a saúde deveria ser gerida pela iniciativa privada e que "é para quem pode pagar, quem não pode pagar que morra no esquecimento e na negligência do estado brasileiro".
Ao contrário do que alega a postagem, o presidente defendeu, na mesma fala, um atendimento de qualidade também para os mais pobres.
Saiba mais: a fala foi filmada durante visita do presidente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Ao discursar, Lula afirmou que já esperou muitas vezes em filas de atendimento hospitalar e ilustrou essas experiências citando dois episódios.
Primeiro, falou de quando a primeira esposa, Maria de Lourdes, e um filho morreram no parto, em 1971. Depois, lembrou de quando cortou o dedo mindinho da mão esquerda em um acidente de trabalho, em 1964.
Nesse contexto, o presidente afirmou saber como são tratados o pobre e o rico porque, segundo ele, "ainda prevalece na área da saúde o poder do dinheiro".
Em seguida, Lula relembrou a criação do SUS na Constituinte de 1988, quando ele era deputado federal. A postagem enganosa usa apenas um trecho da fala, quando o presidente diz que, naquela época, muita gente insinuou de má fé que o estado não teria condições de oferecer ao povo brasileiro um sistema único de saúde.
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Continuando, disse que ele e os demais defensores da criação do sistema resolveram "provar exatamente o contrário".
Por fim, Lula afirmou acreditar que, na questão da saúde, a pessoa mais pobre tem o direito de ter um tratamento no hospital com o mesmo médico que trata o governador do Estado, o prefeito da cidade, o deputado federal e os ministros do Tribunal de Justiça.
O trecho completo pode ser assistido na conta do presidente no YouTube, onde o discurso foi transmitido ao vivo.
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