Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

PL filia Sergio Moro para ser candidato do partido ao governo do Paraná e desafiar grupo de Ratinho

Senador deixou o União Brasil após não conseguir apoio interno à pré-candidatura; esposa e deputada federal Rosângela Moro também desembarcou na sigla de Bolsonaro

24 mar 2026 - 13h18
(atualizado às 13h35)
Compartilhar
Exibir comentários

BRASÍLIA - O Partido Liberal (PL) do ex-presidente Jair Bolsonaro filiou nesta terça-feira, 24, em Brasília, o senador Sergio Moro e a esposa, a deputada federal Rosângela Moro.

Moro será o pré-candidato do PL ao governo do Paraná, desafiando o grupo do atual governador, Ratinho Júnior (PSD), que anunciou na segunda-feira sua desistência do projeto presidencial para permanecer no cargo até o fim do mandato.

Moro deixou o União Brasil após a sigla relutar em lhe dar aval para concorrer ao governo paranaense. O PP, que faz parte da federação, tinha vetado a pré-candidatura do senador em dezembro, com apoio do presidente nacional, Ciro Nogueira.

A cerimônia de filiação teve a presença do senador Flávio (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, da cúpula da sigla e do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo), que deve fazer uma dobradinha com o deputado federal Filipe Barros (PL) na disputa ao Senado.

Em seus discursos, Moro e Rosângela fizeram acenos à família Bolsonaro. O senador afirmou que o Paraná estaria ao lado de Flávio, e que voltou a se aliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 por entender que um retorno do governo Lula seria ruim para o País.

Moro disse que a corrupção voltou a reinar sob novo governo do PT e que Lula "está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento".

"O seu projeto é o projeto do nosso País. Estou também ansioso para ver o seu pai em casa, não por uma questão de política, mas por uma questão de justiça", discursou Moro.

O senador prometeu dar continuidade às "coisas boas" da gestão Ratinho, mas que iria buscar "excelência e mudança" caso seja eleito governador. E disse que o Paraná vai se beneficiar de um eventual governo Flávio na Presidência da República.

Já Rosângela demonstrou solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que faltou ao evento por estar com o marido no hospital DF Star, e reiterou os desejos de Moro pela transferência do ex-presidente para a prisão domiciliar.

"Nunca entendi que crime foi (que Bolsonaro cometeu), e nada mais digno que ele possa ficar na casa dele sob os cuidados da família", discursou a deputada.

Ela também afirmou que que a "Lava Jato foi um exemplo do Paraná do que a gente deveria estar vendo com o Banco Master", referindo-se a investigações que alcançam os peixes grandes da classe política.

Flávio, por sua vez, enalteceu o trabalho de Moro no Senado e afirmou que a eleição de outubro "não será (uma disputa entre) Lula e Bolsonaro", mas para decidir o caminho que o Brasil deve tomar no futuro.

O presidenciável defendeu que, por mais que Moro esteja bem nas pesquisas de intenção de voto, o PL "não pode baixar a guarda".

Bolsonaristas avaliam que a decisão de Ratinho renunciar ao projeto presidencial e ficar no cargo foi influenciada pela jogada do PL de filiar Moro para enfrentar seu grupo nas urnas.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu dias atrás o apoio de Ratinho à pré-candidatura presidencial do PL no primeiro turno — o que implicaria desistir do próprio projeto presidencial.

O governador, no entanto, ficou de dar um retorno. O PL então decidiu fazer a fila andar e apoiar a pré-candidatura de Moro para garantir um palanque para Flávio no Estado. A cerimônia de filiação do ex-juiz da Lava Jato será nesta terça-feira, 24, em Brasília.

Uma candidatura de Moro, eleito senador com 33,50% dos votos dos paranaenses, aliado à força do bolsonarismo pode superar a força eleitoral de Ratinho. O governador era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho nas pesquisas para presidente, mas bem atrás dos números do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio.

Ficando no cargo, agora Ratinho poderá manter o controle da máquina e direcionar esforços para eleger o seu sucessor, diante da ameaça de Moro. Um dos cotados para o posto é o secretário de Cidades, Guto Silva — que seria favorecido em ter um aliado no cargo até a data da eleição.

Outro cotado como nome de Ratinho é Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que também se beneficiaria com um aliado na cadeira de governador. Se for bem sucedida, a jogada pode ajudar a manter o poder de Ratinho, turbinar a campanha de Guto e derrotar o PL.

Uma liderança da cúpula do PL diz que Ratinho cometeu um "erro primário" na política ao subestimar o partido, uma vez que, segundo ela, o governador achou que os bolsonaristas voltariam atrás na aliança com Moro assim que o PSD tomasse sua decisão. Para ele, o "café esfriou" e Ratinho não percebeu.

Se a decisão de Ratinho visa combater o PL com mais força no Estado, segundo essa avaliação, por outro lado empurra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), para perto da candidatura presidencial — o que é visto com bons olhos por bolsonaristas, uma vez que o goiano pode usar sua campanha para desgastar o PT com mais ênfase do que acreditam que Ratinho faria.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade