Lula culpa guerra no Irã por queda mínima da Selic e critica Trump: 'Acha que é o dono do mundo'
Presidente elevou o tom contra o americano e disse que o conflito no Oriente Médio não tem necessidade nenhuma
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a atuação dos Estados Unidos em conflitos internacionais e associou a escalada de tensões no Oriente Médio ao cenário econômico brasileiro durante discurso nesta quinta-feira, 19, na abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Em sua fala, Lula mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar a condução de conflitos internacionais. “A gente não pode ter alguém que acha que é dono do mundo e levanta de manhã decidindo tomar um país”, afirmou.
O presidente criticou o bombardeio recente dos Estados Unidos ao Irã e disse que o conflito ocorreu sem justificativa. “Poderia ser melhor se a gente não fosse pego de surpresa por uma guerra, uma guerra sem necessidade nenhuma”, declarou.
Apesar de afirmar que não concorda com o regime iraniano, o presidente defendeu o respeito à soberania dos países. “Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã, eu mesmo não concordo, mas temos que aprender a respeitar a integridade territorial dos países”, afirmou.
Segundo Lula, o mundo deveria priorizar outras agendas. “O mundo precisa de educação, de paz, de comida e não de guerra”, disse.
O evento, realizado na capital paulista, contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT)-- que anuncia a saída da pasta --, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além de outros ministros, e marcou a entrega de veículos e equipamentos nas áreas de Saúde e Segurança Pública, além de unidades habitacionais no estado.
Impacto nos juros e no preço do petróleo
O presidente também relacionou o cenário internacional à economia brasileira, especialmente à decisão recente do Banco Central sobre a taxa de juros.
“Hoje é um dia em que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste, porque o Banco Central só baixou 0,25 ponto percentual dos juros dizendo que é por conta da guerra”, afirmou. Segundo ele, a expectativa do governo era de uma redução maior, de pelo menos 0,5 ponto percentual.
A Selic, que é a taxa básica de juros da economia, influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e os investimentos no país. Em cenários de maior instabilidade global, como guerras, há pressão sobre preços internacionais, especialmente de commodities como o petróleo, o que pode elevar a inflação e levar bancos centrais a adotarem mais cautela na redução dos juros.
Lula destacou que o conflito tem impacto direto no preço do petróleo. “Agora estamos com a crise do petróleo, que está subindo no mundo inteiro. Um barril que custava cerca de 70 dólares hoje está em torno de 110”, disse.
Diante disso, o presidente afirmou que o governo federal está monitorando o mercado para evitar abusos. “Vamos fazer todos os esforços que temos que fazer e não vamos permitir distorções”, declarou.
Nesta quarta-feira, o governo iniciou uma ofensiva em diferentes frentes para evitar uma greve de caminhoneiros e seus impactos políticos e econômicos em ano eleitoral. Entre as medidas, anunciou o reforço na fiscalização do frete mínimo e uma articulação com os Estados para tentar reduzir o ICMS sobre combustíveis.
Apelo à comunidade internacional
Lula ainda disse ter conversado recentemente com representantes do Conselho de Segurança da ONU e cobrou uma atuação mais firme do organismo.
“Na semana passada falei com vários presidentes do Conselho de Segurança da ONU, do qual os Estados Unidos também fazem parte. Eles precisam se reunir para evitar a guerra”, disse.
-skk1llef90dt.jpg)