Aliado de Moro no Paraná, Filipe Barros já disse que senador faz aliança 'até com capiroto'
Deputado federal está no mesmo palanque do ex-juiz nas eleições deste ano; procurado, deputado admite divergência no passado, mas afirma que fez aliança pensando num 'bem maior'
BRASÍLIA - O pré-candidato ao Senado Filipe Barros (PL-PR), agora defensor da candidatura do senador Sérgio Moro (PL-PR) ao governo do Paraná, já fez reiteradas críticas a Moro e à Operação Lava Jato em publicações nas redes sociais.
Nessas postagens, Barros disse que o seu atual aliado Moro "conspirava 24h por dia" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que ele teria feito acordo "até com o capiroto" para "salvar sua cada vez mais manchada biografia".
Essas publicações foram feitas ao longo de 2021, um ano depois de Moro pedir renúncia do comando do Ministério da Justiça e romper com o governo Bolsonaro. Procurado pelo Estadão, Barros afirmou que as críticas são "divergências do passado".
"Não é segredo para ninguém que já tivemos divergências no passado. Mas essas divergências foram colocadas de lado e esclarecidas em nome de um bem maior: enfrentar a esquerda que corrói as instituições, a economia e a liberdade do nosso País", disse.
Procurado, Moro reforçou que a união entre os dois. "Estamos unidos e com as divergências mantidas no passado. O Brasil não aguenta mais quatro anos de governo Lula", afirmou.
Quando Moro ia para Curitiba de FAB, quase sempre fazia "escala" em São Paulo. Moro sempre esteve ao lado de Dória. Conspiravam 24hs por dia contra Jair Bolsonaro.
— Filipe Barros (@filipebarrost) November 5, 2021
"O que restava da credibilidade da Lava Jato foi pro ralo", escreveu Barros, em novembro de 2021. Ele fez outras críticas a Moro e ao ex-deputado Deltan Dallagnol para reforçar os ataques à Lava Jato.
O que restava da credibilidade da Lava Jato foi pro ralo.
Deltan e Moro reforçam a tese da esquerda.
— Filipe Barros (@filipebarrost) November 4, 2021
Em outra postagem, de novembro de 2021, Barros disse que Moro trabalhava contra Jair Bolsonaro. "Quando Moro ia para Curitiba de FAB, quase sempre fazia 'escala' em São Paulo. Moro sempre esteve ao lado de Dória. Conspiravam 24h por dia contra Jair Bolsonaro", escreveu.
Para salvar o que resta de suas cada vez mais manchadas biografias, Moro e Dallagnol fizeram acordo até com o capiroto: "vão-se os anéis, ficam os dedos", pensaram os biografados.
Já Fachin, petista que é, juntou a fome com a vontade de comer e agora grita "Lula livre".
— Filipe Barros (@filipebarrost) March 8, 2021
Agora, em 2026, os dois estão do mesmo lado na disputa eleitoral de 2026. Barros será candidato ao Senado e Moro ao governo do Estado do Paraná - ambos pela mesma legenda.
"O PL dá um salto histórico com a filiação do nosso futuro governador, Sérgio Moro", escreveu Filipe Barros. Ao lado do deputado, Moro também anunciou que os dois estariam participando do palanque para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Os dois ainda gravaram um vídeo juntos durante a sessão do Congresso Nacional que derrubou o veto de Lula ao projeto de redução das penas dos condenados aos presos do 8 de Janeiro. Nessa publicação, Moro disse que Barros é uma das "lideranças" contra o governo. Já Barros chamou Moro de "futuro governador".
Moro deixou o governo Bolsonaro em 2020. Ao sair do Ministério da Justiça, ele acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.
Os dois se reaproximaram nas eleições de 2022. Moro chegou a acompanhar o ex-presidente em um debate presidencial em outubro daquele ano, durante a disputa do segundo turno. O convite tinha sido feito pelo próprio Bolsonaro.
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