Corpo de desembargador desaparecido há mais de um mês é encontrado em área próxima à Vista Chinesa, no Rio
Polícia Civil afirma que não havia sinais aparentes de violência; magistrado estava afastado pelo CNJ por acusações de violência doméstica
O corpo do desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho, de 64 anos, foi encontrado na tarde desta terça-feira, 19, em uma área próxima à Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ).
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Segundo a corporação, policiais da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), com apoio do Corpo de Bombeiros, localizaram o corpo nos arredores do mirante. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) realizou perícia no local, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
De acordo com a polícia, não havia sinais aparentes de violência. As circunstâncias da morte ainda serão investigadas. “Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos”, informou a Polícia Civil em nota.
O magistrado estava desaparecido há mais de um mês. Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, ele foi visto pela última vez em 14 de abril, quando teria sacado R$ 1 mil e seguido de táxi em direção à Vista Chinesa, ponto turístico localizado na Floresta da Tijuca.
Em nota, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) afirmou ter recebido “com profundo pesar” a informação sobre a localização de um corpo no Parque Nacional da Tijuca que, segundo as autoridades responsáveis pela investigação, apresenta indícios de ser do desembargador.
O tribunal ressaltou, contudo, que até o momento não houve reconhecimento oficial da identidade e informou que novas informações serão divulgadas após a conclusão formal do processo pelas autoridades competentes.
“Em nome dos magistrados e servidores, o presidente da Corte, desembargador federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, manifesta solidariedade aos familiares, amigos e colegas do eminente desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho neste momento de apreensão e tristeza”, declarou o TRF-2.
Desembargador estava afastado pelo CNJ
Alcides Martins Ribeiro Filho estava afastado cautelarmente das funções desde maio de 2025, após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O afastamento foi determinado no âmbito de uma reclamação disciplinar relacionada a acusações de violência doméstica, resistência à prisão, lesão corporal contra policiais e abuso de autoridade.
Na ocasião, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, afirmou que as condutas atribuídas ao magistrado indicariam um comportamento “explosivo e irascível”, incompatível com os requisitos para o exercício da função jurisdicional. Segundo o CNJ, os fatos poderiam configurar violações à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e ao Código de Ética da Magistratura.
“A sociedade espera e exige que os magistrados mantenham uma postura condizente com os deveres inerentes à responsabilidade do cargo, sobretudo por julgarem questões sensíveis que impactam diretamente os cidadãos e as famílias brasileiras. A confiança no Poder Judiciário é um princípio fundamental que deve ser resguardado pelo CNJ através de medidas como tais”, afirmou o ministro à época.
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