Aliado de Bolsonaro que comprou casa em cidade que Eduardo vive nos EUA declarou apenas R$ 164 mil de patrimônio ao TSE
Compra de casa levantou suspeitas sobre uso de doação feita por Daniel Vorcaro na permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Ex-secretário nacional de Cultura da gestão Bolsonaro, o policial militar André Porciuncula declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2024, um patrimônio de apenas R$ 164 mil. Naquele ano, ele se candidatou a vereador de Salvador, na Bahia, e foi eleito suplente. Menos de dois anos depois, Porciuncula aparece como um dos donos de uma casa comprada em fevereiro de 2026, em Arlington, no Texas, nos Estados Unidos, avaliada entre US$ 708 mil e US$ 789 mil (R$ 3,5 milhões a R$ 3,9 milhões, na conversão atual).
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Arlington é a cidade onde está vivendo atualmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A casa em questão foi adquirida em nome do fundo Mercury Legacy Trust, que é ligado às empresas do advogado Paulo Calixto, responsável técnico pela imigração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para os EUA, e gerido por Porciuncula. A compra do imóvel foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo.
Porciuncula, que é aliado da família Bolsonaro há anos, figura como gestor do Mercury Legacy Trust. Procurado para comentar a transação, o ex-secretário afirmou que a compra da casa "não tem nada a ver com Eduardo, fundo ou qualquer coisa relacionada ao filme (Dark Horse)". "Eduardo nunca morou ou usou essa casa. Calixto foi apenas o advogado que montou a estrutura jurídica", disse.
Pelas regras de imigração americanas, Eduardo não é autorizado a trabalhar. O ex-deputado cassado afirma manter a vida nos Estados Unidos, onde reside há mais de um ano, por meio de doações, especialmente do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse foi um dos motivos que gerou suspeita de que Eduardo poderia ter se beneficiado de repasses feitos por outras figuras no Brasil. O site Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrou e recebeu mais de US$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias por meio do Banco Master.
O dinheiro arrecadado com o dono do Master foi remetido ao fundo Havengate Devolpment Fund, que é administrado por Calixto - o advogado de imigração de Eduardo -, sob a alegação de custear o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro.
Em nota, a produtora do filme, a Go Up Entertainment e o produtor executivo e deputado federal Mário Frias (PL-SP) negaram num primeiro momento terem recebido dinheiro de Vorcaro para bancar a produção. A Go Up não se manifestou novamente, mas Frias ajustou o discurso após contradizer Flávio.
A Polícia Federal (PF) vai investigar se os pagamentos de Vorcaro a pedido de Flávio foram repassados a Eduardo para bancar a sua estadia nos Estados Unidos. O ex-deputado se mudou para o País com o objetivo de fazer lobby para que as autoridades americanas pressionassem o Judiciário e o governo brasileiro contra a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e pela anistia aos envolvidos na trama golpista. (*com informações do Estadão Conteúdo)
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