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Polícia

Tenho medo de voltar à escola, diz sobrevivente de atentado

7 abr 2011 - 15h27
(atualizado às 16h03)
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A estudante Pamela Cristina Ferreira, 13 anos, não quer voltar à escola Tasso da Silveira depois de perder colegas vítimas de um atirador que invadiu a instituição, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. "Tenho medo de voltar à escola", disse a estudante da 7ª sérire. "Eu não quero que ela saia, mas vou procurar uma nova escola para ela", disse a mãe, Simone Ferreira, 38 anos.

Familiares e curiosos lotaram a entrada da escola
Familiares e curiosos lotaram a entrada da escola
Foto: AP

Veja localização de escola invadida por atirador

Pamela saiu ilesa do ataque de um ex-aluno do colégio, que também feriu 18 pessoas entre estudantes e funcionários. "Ouvi os disparos, mas não vi nada. Estava no terceiro andar da escola e uma colega disse gritando que a gente fosse para o auditório, no quarto andar", disse a menina, visivelmente abalada. "Bloqueamos as portas do auditório com armários com a orientação dos professores. A gente estava em pânico, mas ficamos tranquilos até que chegou a polícia e tudo acabou", afirmou.

No hospital Albert Schweitzer, fortemente protegido pela Polícia Militar, os familiares e amigos das vítimas se concentraram. Foi lá que Pamela recebeu a notícia de que sua colega de turma, Larissa, 15 anos, havia morrido. A poucos metros, uma mulher desconsolada, abraçada ao companheiro, repetia incessantemente "minha filha se foi". Ela não quis contar sua história.

Os moradores de Realengo também pareciam não conseguir acreditar no que aconteceu. Muitos ajudaram no transporte das vítimas. "Vivo a cinco minutos do colégio. Ela (uma das meninas feridas) chegou em minha casa com uma bala nas costelas. Ao vê-la, a levei para o hospital imediatamente", disse José Marques, 28 anos, referindo-se a Renata, que conseguiu sobreviver aos ferimentos, segundo os pais. "Ela estava na escada quando tudo começou, mas agora está bem", contou Vera, mãe da menina de 13 anos.

Frente à escola municipal, no chão da casa de Elizer, um funcionário dos Correios de 50 anos, havia marcas de sangue. Dois meninos conseguiram pular o muro e bateram em sua porta. Foram levados para o hospital.

Outro pai contou os momentos que viveu durante o ataque. "Minha esposa me ligou desesperada para que eu voltasse para casa. Nossa filha de 11 anos estuda lá. Ela está bem, mas fiquei preocupado", explicou Jorge.

Como Simone, muitos pais querem saber como o ex-aluno conseguiu entrar no prédio e cometer o massacre. "Como ele entrou na escola se existem dois pontos de controle? Não entendo", reclamava um pai. Ninguém deu uma resposta. "Nunca pensei que isso aconteceria aqui, parece mentira. Só tinha visto isso nos Estados Unidos... E agora? Como posso ficar tranquilo quando meu filho for para a escola?", disse Jorge.

Atentado

Um homem matou mais de dez crianças a tiros após invadir uma sala de aula da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da escola e se suicidou logo após o atentado. Testemunhas relataram que o homem portava mais de uma arma.

Wellington entrou na instituição alegando ser palestrante, e as razões para o ataque ainda são desconhecidas. O comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, coronel Djalma Beltrame, afirmou que o atirador deixou uma carta de "teor fundamentalista", com frases desconexas e incompreensíveis e menções ao islamismo e a práticas terroristas. Os feridos foram levados para os hospitais estaduais Albert Schweitzer (que recebeu a maior parte das vítimas) e Adão Pereira Nunes, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e o Hospital da Polícia Militar.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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