RS: vídeos íntimos de jovens provocam tentativa de suicídio
O caso de fotos de jovens nuas expostas em um grupo de Whatsapp chamado “Ousadia e Putaria” virou tema de uma polêmica na pequena localidade de Encantado, a cerca de 150 quilômetros de Porto Alegre. Revoltadas com o julgamento social as meninas expostas pelo grupo prestaram queixa na polícia, que agora investiga as dezenas de participantes. Casos semelhantes já provocaram uma tentativa de suicídio na cidade.
Importante discussão rolando na Câmara de Vereadores de Encantando, sobre a divulgação de imagens íntimas de...
Posted by Manuela D'Ávila on Quinta, 14 de maio de 2015
Tudo começou quando uma menina teve um vídeo divulgado pelo ex-namorado no grupo chamado “Ousadia e Putaria”, que também divulgava imagens de outras garotas.
O caso passou a repercutir em uma cidade de pouco mais de 21 mil habitantes e começou o julgamento público atacando as vítimas. Tanto que o responsável por um jornal local afirmou no Facebook que as vítimas do vazamento mereciam uma surra. Mas suas declarações repercutiram tão mal que ele se retratou pedindo desculpas.
“Não tive a intenção de pregar a violência contra a mulher, não odeio o sexo feminino e nem quis incentivar a cultura ao estupro. Simplesmente desabafei e acabei utilizando expressões fortes, com o propósito único de alerta. Me solidarizo a dor das famílias e principalmente das vítimas”, postou Juremir Versetti ao se retratar.
Junto a isso, o estagiário da delegacia onde foi feito o boletim de ocorrência sobre o vazamento das fotos, avisou aos participantes do grupo sobre a denúncia feita. Ele foi afastado do trabalho.
Grupos feministas entraram no tema e até uma manifestação foi realizada na cidade. Com isso o caso chegou à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Ale-RS), que nesta semana esteve na cidade para uma audiência pública e para conversas com o Ministério Público e Polícia Civil, responsáveis pela investigação.
“Temos que quebrar o tabu, inverter a lógica e fazer com que a sociedade faça a leitura verdadeira sobre os fatos, de uma forma mais sensata, porque essa menina está sendo punida pelo vazamento das fotos”, disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Catarina Paladini (PSB), completando que a denúncia chegou através da deputada Manuela d´Ávila (PCdoB)
Ele elogiou a conduta das vítimas que levaram o caso para as autoridades, “temos que reconhecer a coragem dessas meninas de virem a público para que não vire apenas um número”, afirmou, dizendo que pretende usar o que aconteceu para levantar uma discussão nacional, junto à comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados para buscar uma política nacional de regramento e responsabilização por esse tipo de crime.