Rio: polícia estoura bingo clandestino em mansão de luxo
Um bingo clandestino que funcionava em uma mansão de luxo foi estourada por policiais da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD), na noite desta sexta-feira, no bairro Jardim Primavera, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, a cerca de 2 km da Prefeitura do município. O local seria explorado por um bicheiro que atua na cidade. Uma passagem secreta para fuga foi encontrada. A polícia investiga se além do jogo também havia prostituição e exploração sexual no imóvel.
De acordo com a delegada adjunta da DDSD, Daniela Rabelo, a jogatina na mansão da Rua Acapulco vinha sendo investigada há duas semanas. O local funcionava diariamente. Vans eram alugadas e traziam apostadores de Copacabana e da Barra da Tijuca, no Rio, e de Petrópolis, na Região Serrana. Na chegada dos policiais, três Doblôs de uma locadora de veículos estavam estacionados na entrada da casa. Entre os 75 detidos estavam vários idosos, segundo a delegada. Todos foram levados em um microonibus da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) para a sede da especializada, em São Cristóvão, zona Norte do Rio, para prestar esclarecimentos.
No salão principal da mansão, os policiais apreeenderam 104 máquinas de videobingo, além de uma quantia em dinheiro ainda não contabilizada. Em um cômodo atrás da sala de estar eles encontraram uma hidromassagem, uma sala de massagem e uma sauna. Foram encontrados vários roupões. A polícia via investigar se além da jogatina os donos do negócio também ofereciam o local para o encontro de prostitutas contratadas com os apostadores.
A mansão também possuia um gerador de energia próprio. No quintal do imóvel, além da piscina, os agentes descobriram um caminho que leva a uma passagem secreta que seria utilizada como rota de fuga. A saída desemboca no trecho da Rua Acapulco onde fica estacionado o caminhão com o gerador de energia. A contravenção de Duque de Caxias seria a responsável pelo investimento na mansão.
"A nossa linha de investigação mostra que o jogo clandestino que acontecia aqui era financiado por um bicheiro que atua aqui na região de Duque de Caxias", afirmou Daniela Rabelo, que não quis revelar o nome do suspeito. A polícia já fez um levantamento de quem teria alugado e de quem seria o dono do imóvel.
Um homem identificado como gerente do bingo e duas funcionárias foram presos em flagrante. Eles serão indiciados por contrabando.
Cassino em Nova Iguaçu
A suspeita da participação da contravenção em imóveis alugados para a jogatina não é novidade na Baixada Fluminense. Em outubro do ano passado, agentes da Delegacia da Polícia Federal de Nova Iguaçu estouraram um cassino clandestino no Centro do município. Foram encontrados na ocasião, santinhos de um candidato a deputado estadual, cerca de R$ 3 mil em dinheiro, mesas, fichas de jogos e baralhos; computadores, anotações contábeis e uma lista com nomes de prováveis jogadores e frequentadores. O local teria sido instalado e seria frequentado pela cúpula dos jogos eletrônicos e da contravenção do Rio, segundo a polícia. Ninguém foi preso na ocasião.
No imóvel funcionava o Seven Teen Poker. Além de uma sala principal com duas grandes mesas para a jogatina, também havia mais cinco outros cômodos transformados em sala de jogos. Em um suíte de luxo funcionava a central de monitoramento de segurança do cassino clandestino. Através de várias câmeras era possível acompanhar a movimentação fora e dentro do imóvel. Na parte superior, havia apenas quartos ainda não mobiliados.
"Nos surpreendeu o tamanho da casa, o conforto oferecido aos frequentadores e o aparato de segurança montado eletrônicamente, com possibilidade de fuga pelos fundos", descreveu o delegado da PF, Alexandre Saraiva , que comandou a operação. "Não sabemos quem era o responsável do jogo aqui, mas podemos afirmar que o alto escalão dos bingos e das máquinas caça-níqueis frequentava o local. Isso tudo organizado pela cúpula da contravenção", disse ele na ocasião, sem citar nomes.