Recuperada em SP escultura de Aleijadinho roubada há 40 anos
Após quase quatro anos de investigações, o Ministério Público Estadual de Minas Gerais apreendeu na sexta-feira, em Amparo, São Paulo, uma peça sacra do século XVIII, que teria sido retirada da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto (MG) há cerca de 40 anos, atribuída a Aleijadinho. A peça foi levada ainda ontem para Ouro Preto.
A peça, conhecida como Busto de São Boaventura, tem 69 centímetros de altura, 41 centímetros m de largura e 16 centímetros de profundidade e foi feita em cedro, por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, na terceira fase de sua produção (1791/1812).
Desde 2006 o MPE, por meio da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (PEDPCT-MG) e da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Ouro Preto investiga o caso. De acordo com as apurações do MPE, Aleijadinho produziu um conjunto composto por quatro bustos relicários representando os quatro doutores franciscanos: Venerável Duns Scott, Santo Antônio de Pádua, São Tomás de Aquino e São Boaventura.
As peças teriam sido transferidas para o Museu Aleijadinho (anexo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias), na década de 1960, quando uma delas foi deslocada para uma coleção particular na cidade de São Paulo, sendo recentemente vendida para um empresário de Amparo.
O MPE ingressou com ação cautelar de produção antecipada de provas e no dia 26 de maio deste ano, a juíza de Ouro Preto, Janete Gomes Moreira, determinou a apreensão do busto de São Boaventura para fins de perícia técnica e comparação com as outras três peças que estão em Ouro Preto.
O MPE pleiteia que a peça sacra retorne ao seu local de origem, de onde jamais poderia ter sido retirada e nem mesmo vendida, pois os bens culturais da igreja são inalienáveis.
Coordenaram as investigações e a operação os promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda e Ronaldo Assis Crawford, que deram cumprimento à ordem judicial com apoio de policiais federais de Campinas, de agentes do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Minas Gerais e do Grupo de Ações Especiais e Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo.
Em Ouro Preto, a escultura ficará sob a guarda do Museu Aleijadinho para fins de produção das provas periciais.
Dados da peça
Altura: 69 cm
Largura: 41 cm
Profundidade: 16 cm
Características: Peça em madeira, em forma de palma ou custódia, com base em três pés curvos (um deles perdido), decorados com concheado e arrematados por friso curvo. Feita em cedro, em cinco partes, pregadas, sem policromia. Apresenta rachaduras na base e perda de nove raios (originariamente eram treze)
Atribuída a Aleijadinho (terceira fase - 1791/1812)