Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Polícia

Reação à anestesia pode ter matado mulher em lipo, diz médico

12 jan 2010 - 18h52
(atualizado às 19h33)
Compartilhar
Andréa Bruxellas

Rodrigo Teixeira

Direto do Rio de Janeiro

Os médicos Daniela Barbosa Fernandes e Marco Antonio Raposo compareceram nesta terça-feira à tarde à 59ª Delegacia de Polícia, no município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, para prestar depoimento sobre a morte da radiologiasta Carla Fares, 33 anos, que morreu no último sábado vítima de complicações durante a realização de uma hidrolipo. Durante o depoimento, o médico Marco Raposo disse que desconhece o motivo da morte da paciente, mas acredita que possa ter ocorrido por complicações decorrentes da anestesia.

A paciente foi internada na quarta-feira passada na Clínica de Estética e Emagrecimento MedLight para fazer a terceira cirurgia plástica com os mesmos médicos. A intervenção seria uma espécie de complementação da segunda cirurgia. No mesmo dia, Carla foi transferida em coma induzido para a Casa Santa Branca e, depois, para o hospital Quinta D'Or, onde morreu.

Durante o depoimento de Raposo ao delegado titular da 59ª DP, Antônio Silvino, que durou cerca de três horas, o médico chegou a falar que não sabia das outras cirurgias de Carla. Depois, voltou atrás. O laudo feito pelo Instituto Médico Legal (IML) com a causa da morte de Carla ficará pronto em 15 dias.

A irmã mais nova da vítima, Nicia Bastos Fares, 31 anos, disse que Carla teve problemas na segunda cirurgia e, mesmo assim, retornou para a terceira intervenção. Ela quer que os médicos sejam responsabilizados.

Depois do depoimento de Raposo, a médica Daniela Barbosa foi convidada a entrar na sala do delegado. Mas, no trajeto, foi obrigada a ouvir os gritos de "assassina" proferidos pela irmã de Carla que, depois, mais calma, falou com a imprensa. "Eles são uns assassinos. E, ainda por cima, mentirosos. Minha irmã era muito organizada e tinha uma pastinha onde guardava tudo relacionado às cirurgias, inclusive os recibos. Ela levou essa pastinha para o hospital e os documentos simplesmente desaparceram."

A família sustou o último cheque pago por Carla pela cirurgia, que teria custado R$ 2 mil, parcelados em cinco vezes. A Clínica de Estética e Emagrecimento MedLight foi instalada no local há quatro anos e era conhecida por realizar plásticas a preços convidativos. A advogada Sandra Oliveira, 31 anos, que estava na delegacia acompanhando um cliente, disse que chegou a fazer na mesma clínica uma de cinco intervenções programadas."A clínica não tem infra-estrutura nenhuma. Tive que fazer o pós-operatório em outro lugar. Nem sequer balão de oxigênio eu vi quando estive lá. Minha irmã, que também pretendia fazer uma lipo, desistiu e disse que aquilo não era uma clínica para ela", afirmou.

Segundo informações do delegado, a clínica permanece fechada e até os móveis foram retirados do local. O médico Marco Antonio Raposo tinha várias especialidades: cardiologia, medicina ortomolecular, anestesia, ultra-sonografia e medicina do trabalho, mas não era especialista em cirurgia plástica. O nome dele não consta entre os membros do Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Embora o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro não considere delito um médico praticar procedimentos de outras áreas, uma sindicância doi aberta para apurar o caso. Segundo a assessoria do Cremerj, foram solicitados esclarecimentos dos médicos e, também, todos os prontuários das três clínicas por onde a paciente passou.

Os médicos só serão enquadrados por homicídio doloso caso fique comprovado que eles não tinham habilidade para realizar o procedimento. Do contrário, responderão por homicídio culposo, sem intenção de matar, que prevê penas de um a três anos de detenção.

O marido de Carla, Marcelo Estrela Barreto disse que a morte da mulher deve servir de alerta para que as pessoas procurem com mais cuidado os médicos antes de se submeterem a um procedimento cirúrgico. "Isso é para percebermos que a proporção de erros médicos é grande. As pessoas acham que nunca vai acontecer com elas, mas acontece. Estou indignado, não entra na minha cabeça essa história."

Fonte: Especial para Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra