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Polícia

Promotor vê investigação "porca" da morte de Celso Daniel

22 nov 2012 - 17h45
(atualizado às 17h56)
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Vagner Magalhães
Direto de Itapecerica da Serra

Itamar é acusado de ter participado do sequestro do ex-prefeito
Itamar é acusado de ter participado do sequestro do ex-prefeito
Foto: Bruno Santos / Terra

O promotor de Justiça Márcio Augusto Figgi de Carvalho, que atua no julgamento de Itamar Messias dos Santos, 32 anos, acusado de participação na morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), afirmou, em plenário, que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) fizeram "um serviço porco" durante a investigação. A conclusão foi de que não houve motivação política para o crime e que ele teria sido morto após um sequestro comum. O réu é acusado de ter participado desse sequestro.

De acordo com o promotor, o ex-prefeito morreu "porque peitou quem quis enriquecer pessoalmente". De acordo com o Ministério Público, a Prefeitura de Santo André estava envolvida em um esquema de corrupção para receber propina de empresas de transporte para levantar fundos para as campanhas de 2002 do PT.

Celso Daniel teria conhecimento do esquema, mas tomou providências para acabar com a fraude quando descobriu que havia pessoas embolsando o dinheiro. Isso teria motivado o assassinato. De acordo com o promotor, determinadas pessoas não "sentam aí" (no banco dos réus) porque investigações foram trancadas durante o processo.

A morte de Celso Daniel

Então prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002, quando saía de um jantar. O empresário e amigo Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, estava no carro com ele quando foi rendido. O político foi levado para um cativeiro na favela Pantanal, em Diadema (Grande ABC), e, depois, para uma chácara em Juquitiba, a 78 km de São Paulo, sendo assassinado a tiros dois dias depois. Na época, o inquérito policial concluiu que Celso Daniel teria sido sequestrado por engano e acabou morto por uma confusão nas ordens do chefe da quadrilha. Mas a família solicitou a reabertura das investigações ao Ministério Público (MP).

As novas averiguações apontaram que a morte de Celso Daniel foi premeditada. As contradições entre as declarações de Sombra e as perícias feitas pela polícia lançaram suspeitas sobre o amigo do então prefeito. Ele havia dito que houve problemas nas travas elétricas do carro blindado no qual os dois estavam, que houve tiroteio com os bandidos e que o carro "morreu". Mas a perícia desmentiu todas as alegações.

O MP denunciou sete pessoas como executoras do crime, sendo que Sombra foi apontado como o mandante do assassinato. Ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado - por ter contratado os assassinos, pela abordagem ter impedido a defesa da vítima e porque o crime garantiria a execução de outros.

A Justiça decidiu levar todos os acusados a júri popular. Além de Sombra e Itamar Messias Silva dos Santos, foram julgados e condenados José Edson da Silva (20 anos de prisão), Elcyd Oliveira Brito (22 anos), Ivan Rodrigues da Silva (24 anos) e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira (18 anos) pela prática de homicídio qualificado (por motivo torpe, mediante paga ou promessa de recompensa e por impossibilitar a defesa da vítima), cuja pena máxima é de 30 anos de reclusão. Em novembro de 2010 aconteceu a primeira condenação do caso: Marcos Roberto Bispo dos Santos pegou 18 anos de prisão em regime fechado.

Fonte: Terra
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