Polícia de MG rastreia R$ 2,5 mi em bens de traficante
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte
O Departamento de Investigação Antidrogas da Polícia Civil de Minas Gerais rastreou cerca de R$ 2,5 milhões em bens do traficante Luiz Cosme Barbosa, o Barriga, e sua mulher, Margarete Nonata de Oliveira. De acordo com o delegado Luiz Flávio Corttat, os dois estão foragidos.
Barriga tem seis mandados de prisão expedidos pela Justiça e é considerado um dos maiores traficantes da capital mineira, responsável pelo abastecimento de cocaína, maconha e haxixe em Belo Horizonte. Contra a mulher dele há dois mandados de prisão em aberto por lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e tráfico de drogas.
Luiz Cosme Barbosa chegou a ser preso em janeiro do ano passado por tráfico de drogas. Ele cumpriu apenas 140 dias de uma pena de três anos de detenção no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de Betim, mas foi libertado por força de um alvará de soltura expedido pela Justiça de Ribeirão das Neves, em abril de 2008.
Nove imóveis do casal foram seqüestrados pela Justiça na capital e região metropolitana, além de vários veículos, alguns de luxo. "A descapitalização e identificação da quadrilha impõe a esses criminosos profundas restrições para continuarem a desempenhar as atividades do tráfico, enfraquecendo a influência em seus aglomerados com a desarticulação das estruturas do grupo", explicou o delegado Luiz Flávio Corttat, responsável pelo inquérito.
O delegado Marcelo Machado, chefe do Departamento Antidrogas, informou que todo o patrimônio do casal foi adquirido com dinheiro do tráfico de drogas. "O Barriga, considerado o maior fornecedor de cocaína, maconha e haxixe da região metropolitana, articulava uma rede criminosa que importava drogas de países como Paraguai e Colômbia, trazidas até Minas via Foz do Iguaçu, Estado do Paraná. Veículos de luxo serviam de moeda na troca da mercadoria", explicou.
Entre os imóveis adquiridos pelo traficante e seqüestrados pela Justiça, estão uma mansão no bairro Bandeirantes, duas casas no Bairro Céu Azul, um sítio em Ribeirão das Neves, onde funcionaria um laboratório de refino de cocaína, e dez veículos.
Segundo os delegados, Barriga e a mulher são suspeitos de lavar o dinheiro do tráfico com imóveis e carros. O casal agiria de duas formas. A primeira consistiria na compra de imóveis no nome de laranjas. A segunda maneira que o casal teria encontrado para justificar os montantes conseguidos com a venda de drogas seria fazer com que os bens fossem colocados no nome da mulher.
Segundo as investigações, ela assinava recibos de compra e venda, sem que houvesse a transferência dos bens, mantendo o registro nos cartórios em nome dos antigos proprietários.
"Esta manobra produziu disparates muito evidentes durante as investigações", concluiu Machado. Duas residências localizadas em aglomerados da capital tinham registrados em seus endereços mais veículos no valor de R$ 250 mil.
"Outra contradição descoberta diz respeito à mãe de Margarete. Maria Nonata de Oliveira, beneficiada com R$ 58 mensais do programa Bolsa Família, consta na documentação levantada como proprietária de pelo menos uma casa no bairro Céu Azul no valor de R$ 300 mil", contou o delegado.
No endereço da mãe da traficante, a polícia descobriu ainda o registro de pelo menos dez veículos, totalizando cerca de R$ 250 mil. As investigações apontaram ainda que nas regiões em que o traficante atuava ele utilizava do dinheiro do tráfico para conquistar os moradores, promovendo bailes funk gratuitos e distribuindo alimentos e brinquedos em datas comemorativas.