Marido de falsa psicóloga será intimado a depor no Rio
O marido da falsa psicóloga Beatriz Cunha, Nelson Antunes de Faria Junior, será intimado a prestar depoimento na próxima quarta-feira no Rio de Janeiro. A polícia apreendeu um bilhete escrito por Nelson em que ele demonstra ciência dos crimes supostamente praticados pela mulher, acusada de exercício ilegal da profissão e tortura contra crianças autistas. Ele foi indiciado pela coautoria do crime.
Em um trecho do bilhete, ele afirma conhecimento das fraudes e diz que já tinha contado isto para a polícia, de acordo com informações da Delegacia do Consumidor (Decon). Segundo o delegado Maurício Luciano de Almeida, trata-se da letra de Nelson e, no registro, ele faz uma série de perguntas, respondidas por ele próprio. A polícia apura se o marido da falsa psicóloga consultou algum advogado.
O caso
Beatriz foi presa pela primeira vez no dia 27 de abril, após os pais de uma das crianças que frequentavam a clínica registrarem um boletim de ocorrência por perceberem que a falsa psicóloga não possuía registro profissional no Conselho Regional de Psicologia. A mulher confessou que não possui o diploma de graduação. Ela atendia cerca de 60 crianças ao custo de R$ 90 por hora. A clínica estava aberta há 12 anos.
Após Beatriz ser liberada, a Polícia Civil passou a investigar o caso. Testemunhas disseram ao delegado Maurício Luciano de Almeida que a falsa psicóloga usava métodos agressivos para que as crianças se alimentassem, o motivou um novo mandado de prisão temporária contra Beatriz, pelo crime hediondo de tortura.
A falsa psicóloga, Beatriz Coelho Cunha, que atendia crianças autistas em sua clínica foi presa novamente na manhã deste sábado em sua casa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram um mandado de prisão temporária de 30 dias, pelo crime hediondo de tortura.
Na manhã do último sábado, Beatriz foi presa pela segunda vez. No imóvel da acusada foram encontrados R$ 6 mil, US$ 130 e 530 euros. Além disso, foi constatado que Beatriz não emitia CNPJ ou recibo. Documentos falsos como carteiras de estudante e passaportes também foram localizados.
Para o delegado que comanda as investigações, os valores encontrados na casa da acusada são ínfimos perante o dinheiro que ela movimentava. "Conseguimos a prisão de Beatriz por 30 dias por crime de tortura. Tenho relato de pais de crianças que ela atendia de que ela fazia a chamada intervenção alimentar, no qual o processo consistia em, mesmo a criança se negando a comer, se amarrava o braço dela para trás, segurava as pernas e forçava a alimentação", disse Almeida em entrevista coletiva.
A falsa psicóloga exigia um acompanhamento diário com sessões que poderiam durar até quatro horas. "Ela fazia um exame que chamava evolutiva. Depois, permitia um laudo. Dava o decreto de autismo. Era falso, até porque ela tratou de uma criança por oito meses que posteriormente foi se descobrir que não apresentava autismo", disse o delegado, que afirmou que alguns pais chegaram a realizar tratamentos que alcançavam as cifras de R$ 80 mil.
Atualmente, Beatriz responde por 20 inquéritos e está presa acusada de tortura. "Ela ficou presa por dois dias. Coube a nós provar toda a ação que ela realizava. Sua clínica não tinha licença a vigilância sanitária nem do conselho de psicologia e ela não possui nenhuma formação. Apenas cursou período de psicologia em universidade carioca", afirmou Almeida.
Com informações de O Dia.