Justiça muda crime da Oscar Freire de homicídio para latrocínio
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) mudou a tipificação do crime da rua Oscar Freire, ocorrido em agosto de 2011, de homicídio para latrocínio. A decisão foi confirmada nesta quinta-feira pela defesa do réu Lucas Zanetti Rosseti, 22 anos. Com a medida, que atende a recurso do Ministério Público, o acusado deve ser julgado por roubo seguido de morte.
Com a mudança na tipificação, o caso deixa de ser competência da Vara do Júri e passa para a Criminal, que julga latrocínios. Rosseti está preso e responde pelas mortes do analista de sistemas Eugênio Bozola e do modelo Murilo Rezende.
O advogado de defesa de Rosseti, Aryldo de Oliveira de Paula, afirmou que irá recorrer da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. "Vou recorrer por entender que o crime foi homicídio", declarou.
A última audiência do caso foi no dia 28 de junho. Em novembro do ano passado, a Justiça de São Paulo havia decidido que as mortes não foram latrocínio, mas sim homicídio doloso (quando há intenção de matar). A defesa sustentou, na época, que o analista de sistema matou o modelo e que, na tentativa de impedir o crime, o réu teria matado Bozola.
O caso
O analista de sistemas Eugenio Bozola, 52 anos, e o modelo Murilo Rezende, 21 anos, foram encontrados mortos na manhã do dia 23 de agosto de 2011 em um apartamento na rua Oscar Freire, nos Jardins, zona oeste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, PMs foram chamados para averiguar uma denúncia sobre "uma pessoa ensanguentada", mas, ao entrarem no apartamento, por volta das 9h10, encontraram os dois homens mortos.
Segundo a Polícia Civil, Lucas Cintras Zanetti Rosseti é o principal suspeito de ter cometido o crime. Ele teria vindo de Igarapava (SP) para conhecer a capital paulista a convite de Bozola, com quem teve um caso amoroso, hospedando-se na residência da vítima. O crime teria acontecido após uma desavença entre as vítimas sobre o tempo de permanência de Lucas na cidade. De acordo com as investigações, Murilo teria reclamado com Eugênio sobre a presença de Lucas, que permanecia no apartamento uma semana após a data combinada para sua volta a Igarapava.
Em depoimento à polícia, Lucas disse que Eugênio teria matado o modelo e, em seguida, partido para cima do acusado, que matou o analista de sistemas em legítima defesa.