Justiça decreta prisão de Elize; MP diz que motivo foi dinheiro
- Renan Truffi
- Direto de São Paulo
O juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, aceitou nesta terça-feira a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Elize Matsunaga, e decretou sua prisão preventiva. Elize deve ser julgada pelos crimes de ocultação de cadáver e homicídio doloso triplamente qualificado com agravante, por ela, supostamente, ter matado o próprio marido, o executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga. Com a decisão, a acusada não será mais solta na quinta-feira, quando venceria o período da prisão temporária, e deve ficar detida até o julgamento do caso
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A denúncia oferecida pelo MP-SP traz ainda a afirmação de que a motivação do crime seria financeira. "Oriunda de família pobre, auxiliar de enfermagem e garota de programa, depois casada com milionário, (Elize) viu cair por terra (ao descobrir a suposta traição) o casamento e a vida confortável. Beneficiária única do seguro de relevante valor, ficando com a filha herdeira do enorme patrimônio do pai, resolveu matá-lo", diz o documento.
De acordo com o promotor de Justiça do 5º Tribunal do Júri da capital paulista, José Carlos Cosenzo, se for condenada por todos os crimes, Elize poderá pegar até 34 anos de cadeia. Responsável pela elaboração da denúncia contra a viúva, o promotor explicou também que optou pelo pedido de prisão de Eliza com base em três argumentos: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal.
"Ela preenche todos os três requisitos para decretação da prisão preventiva. Imagine o cidadão comum pensando que uma mulher que cometeu um crime contra o marido, que enganou a polícia, retalhou o cara e jogou os restos do corpo fora vai continuar livre. E até para a segurança dela. Eu não sei se amanhã ou depois pode ter uma retaliação contra ela. Segundo, nós temos quatro testemunhas que têm ligação com ela. Com ela em liberdade, essas quatro pessoas poderiam se sentir intimidadas. O reverendo disse em depoimento, por exemplo, que ela é perigosa. Além disso, ela desapareceu com praticamente todas as provas. Tentou ocultar sangue, revólveres, desapareceu com um computador", afirmou ele.
Após análise das provas e dos depoimentos, Cosenzo também classificou o crime como hediondo e repugnante. Segundo o promotor, o assassinato e esquartejamento do executivo foram premeditados. "O que ela queria era apenas e tão somente a prova material (da traição). (Classifico como) hediondo, frio e repugnante. Imagine uma pessoa ficar mais de dez horas cortando um ser humano antes de botar na mala e sair tranquila. Em momento algum, ela se preocupou. E ainda tentou induzir o porteiro a dizer que o marido tinha saído."
O promotor também concluiu que Elize decidiu matar o marido para manter o "status" conquistado pelo casamento com Marcos Matsunaga. "Estava visando não perder o status dela. Certamente foi o status financeiro. Porque veja bem, ela não queria perder o casamento. Fica claro. Eles eram casados com regime de comunhão parcial de bens, em que você só traz aquilo que se adquire na constância do casamento. Não queria perder aquele lugar", disse.
Empresário é esquartejado
Executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado. Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Ela e Matsunaga eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.
De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem. Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.
Em depoimento dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha.