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Jornalista depõe por 30 minutos e danifica maquete do MP

24 mar 2010
17h22
atualizado às 19h12
Hermano Freitas
Direto de São Paulo

Em cerca de 30 minutos de depoimento, o jornalista Rogério Pagnan, da Folha de S.Paulo, primeira testemunha exclusiva da defesa, danificou a maquete confeccionada a pedido do Ministério Público para demostrar a cena do crime. A oitiva de Pagnan encerrou às 17h30 desta quarta-feira, terceiro dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Perito analisa marcas na camisa de Alexandre

Ao quebrar parte da maquete, de forma não intencional, o jornalista arrancou gargalhadas dos presentes no plenário. Em tom bem humorado, o promotor Francisco Cembranelli tripudiu sobre incidente. "Apesar de você ter quebrado nossa maquete, agradeço sua presença", disse, provocando mais risadas.

Autor de reportagem em que um pedreiro diz que uma obra vizinha ao prédio foi arrombada na noite da morte de Isabella, Rogério representava a localização da obra na maquete quando a quebrou. Ele encostou de forma abrupta no objeto e afundou parte da miniatura. No entanto, os danos à peça foram mínimos.

Pela ordem prevista pelo TJ-SP, o pedreiro Gabriel Santos, fonte da reportagem da Folha de São Paulo, deve ser a próxima testemunha a ser ouvida, também a pedido da defesa. No entanto, em oitiva à policia, o pedreiro negou o fato.

Terceiro dia
Assim como nos dois primeiros dias, o julgamento foi retomado com mais de uma hora de atraso nesta terça-feira. Os trabalhos recomeçaram com o depoimento da perita Rosangela Monteiro, do Instituto de Criminalística, última testemunha compartilhada entre defesa e acusação.

Em mais de cinco horas, Rosangela afirmou que as marcas encontradas na camiseta de Nardoni só poderiam ter sido produzidas pelo ato de carregar um peso de 25 kg até a janela, se debruçar na grade de proteção e atirá-lo. Para chegar a tal conclusão, a tela do apartamento foi levada para o laboratório e instalada em uma moldura de mesma altura e dimensões que a janela. Os testes foram realizados com um homem com o mesmo porte físico de Alexandre Nardoni.

A perita disse que o pai "defenestrou" Isabella e que acredita a madrasta removeu as manchas de sangue. "Mulher pode fazer duas coisas ao mesmo tempo. A ré pode ter removido as gotas de sangue enquanto fazia a ligação", disse Rosangela. Jatobá ligou, por volta das 23h55, para Ana Carolina de Oliveira e informou que a menina tinha caído.

A perita criminal disse que a principal prova de que foi Alexandre Nardoni que jogou a filha pela janela é a marca da rede na camiseta dele. "Foi o Alexandre que defenestrou a vítima. Foi ele", afirmou. Defenestrar significa atirar pela janela.

O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

Fonte: Redação Terra

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