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Polícia

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Deolane tinha plano para lavar dinheiro do PCC em Dubai, aponta investigação

Plano envolvia reestruturação e transferência de patrimônio para os Emirados Árabes Unidos

19 jun 2026 - 14h42
(atualizado às 14h51)
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Deolane Bezerra é ré por envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC
Deolane Bezerra é ré por envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC
Foto: Reprodução/Instagram

A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta que a influenciadora Deolane Bezerra seria a peça fundamental em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Inclusive, o grupo ligado à ela teria um plano traçado para reestruturação e transferência de patrimônio para Dubai, nos Emirados Árabes. 

A reportagem tentou contato com a defesa da influenciadora, mas não teve retorno até o momento. Mas na semana passada, os advogados dela afirmaram que Deolane “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo".

Na última terça-feira, 16, a 3ª Vara de Presidente Venceslau aceitou a denúncia oferecida contra a advogada e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Com isso, ela, Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa se tornaram réus no caso. 

O Terra apurou que o MP-SP encontrou evidências contundentes de que o plano previa a reestruturação de empresas ligadas ao grupo. O objetivo era transferir o patrimônio para o país, "reconhecidamente associado à utilização de shell companies [empresas de fachada]”, para facilitar a lavagem internacional de ativos. 

Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio, sob suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC)
Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio, sob suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC)
Foto: LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Conforme o cronograma ao qual a reportagem teve acesso, o plano previa o ajuste de contas, transferência de endereços, saída de sócios, mudança de Sociedade Ltda. para Sociedade Anônima (SA), além de compra de SA por empresa constituída com fundo em Dubai. O esquema envolvia sete empresas ligadas à Deolane. A previsão para expansão comercial era para julho de 2026. 

“O documento apreendido fortalece a hipótese de que a organização criminosa, em um salto incremental de sofisticação dos meios utilizados para as práticas ilícitas, buscava aperfeiçoar mecanismos de lavagem de dinheiro mediante reorganização societária, pulverização empresarial, expansão de atividades comerciais e utilização de pessoas jurídicas formalmente distintas, mas economicamente integradas”, apontou o MP na denúncia.

MP denuncia Deolane à Justiça por acusação de lavar dinheiro para o PCC:

Movimentações incompatíveis

Segundo a decisão da Justiça, Deolane atuava como “receptora de valores ilícitos”, vindos de uma transportadora de fachada que serviu de base para os esquema em benefício do PCC. A investigação aponta que ela recebia depósitos porcionados em uma conta, oriundos dessa empresa, a mando de Everton de Souza, vulgo ‘Player’, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).  

O levantamento revela, segundo o Tribunal, que as movimentações de mais de R$ 27 milhões em somente uma conta são incompatíveis com a capacidade econômica declarada pela influenciadora. “Os relatórios identificam o emprego reiterado de técnicas de lavagem: uso de empresas interpostas, fragmentação e pulverização de depósitos, integração de laranjas e inconsistências declaratórias de imposto de renda”, diz a decisão. 

Com 21 milhões de seguidores, Deolane Bezerra ganhou fama nacional após morte do marido
Com 21 milhões de seguidores, Deolane Bezerra ganhou fama nacional após morte do marido
Foto: Reprodução/Instagram/@deolane

Ainda conforme a Justiça, áudios enviados a uma diarista indicam que Deolane mantinha valores pertencentes ao PCC em seus imóveis e nos imóveis de seus filhos. 

A advogada está presa desde o último dia 21 de maio, quando foi alvo de uma operação policial que investiga sua atuação em atividades relacionadas à facção criminosa.  

Bilhões

Entre os principais pontos da investigação está a movimentação de aproximadamente R$ 40 milhões nas contas da influenciadora. Conforme apuram a Polícia Civil e o Ministério Público, há suspeitas de que os recursos tenham origem em uma transportadora de fachada localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista.

De acordo com os investigadores, a empresa teria sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar valores provenientes do crime organizado, especialmente do tráfico de drogas, uma das principais fontes de arrecadação atribuídas ao PCC.

A ostentação de bens de luxo nas redes sociais também se tornou uma das principais frentes da investigação. Carros de alto padrão, joias, viagens internacionais e outros itens exibidos pela influenciadora se tornaram foco da apuração sobre uma possível lavagem de dinheiro.

Deolane diz que estava ‘trabalhando’ ao ser questionada sobre lavagem de dinheiro para Marcola:

Segundo a investigação, Deolane apresentaria um "padrão reiterado de ostentação de bens de alto valor econômico, incompatível, em tese, com a capacidade financeira formalmente declarada". O Ministério Público sustenta ainda que essa circunstância "se mostra relevante sob a ótica da persecução penal voltada aos crimes de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio".

Fonte: Portal Terra
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