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Polícia

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Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação que mira lavagem de dinheiro do PCC

Esquema envolve transportadora de cargas com sede no interior de São Paulo

21 mai 2026 - 07h12
(atualizado às 08h16)
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Influenciadora e advogada Deolane Bezerra
Influenciadora e advogada Deolane Bezerra
Foto: Reprodução/Instagram

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira, 21, em uma operação da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público (MP-SP) contra lavagem de dinheiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo informações do Estadão, há também um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho (Marcola), considerado o chefe da facção, que já está preso, além de parentes dele. Outro preso foi Everton de Souza, vulgo Player, indicado como operador financeiro da organização.

A Operação Vérnix cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Outros alvos são o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que estão fora do Brasil.

Deolane esteve em Roma, na Itália, nas últimas semanas, e por isso o nome dela foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira, 20. Policiais cumprem mandados de busca e apreensão na casa dela, em um condomínio no bairro Alphaville, em Barueri.

Outros endereços ligados a ela também são alvos da operação. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, que é considerado filho de criação por Deolane, e um contador são alvos de busca e apreensão.

Alvos da operação

De acordo com a investigação, o esquema de lavagem de dinheiro envolve uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, que é controlada pela cúpula do PCC, considerada a maior facção criminosa do país.

Player, do PCC, aparece em mensagens obtidas pela investigação dando orientações sobre a distribuição do dinheiro da transportadora de cargas, controlada pela família de Marcola, e indicando contas de destino. Por isso, ele foi indicado como operador financeiro do esquema.

Paloma, sobrinha de Marcola, foi alvo de prisão no exterior, já que estava em Madri, na Espanha. Leonardo, outro sobrinho, apontado como destinatário do dinheiro lavado, estaria na Bolívia.

Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre a nova ordem de prisão preventiva.

Também foi determinado o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados.

Envolvimento de Deolane

Deolane Bezerra é suspeita de integrar o esquema criminoso usando suas contas para lavar dinheiro, transformando os valores em bens de luxo.

O Ministério Público de São Paulo informou que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no esquema devido a movimentações financeiras expressivas, e apresentou incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa.

"Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, afirmou o MP em comunicado.

Em nota publicada nas redes sociais da irmã de Deolane, a também advogada Daniele Bezerra, ela acusa a investigação de querer "transformar suposições em verdades" e cita "perseguição". Leia a seguir.

Nota publicada por Daniele Bezerra, irmã de Deolane, nas redes sociais após prisão
Nota publicada por Daniele Bezerra, irmã de Deolane, nas redes sociais após prisão
Foto: Reprodução/Instagram

Em 2024, a influenciadora já havia sido presa em uma investigação sobre suspeitas de crimes envolvendo plataformas de apostas online.

Investigação

Segundo informações da GloboNews, a investigação teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, responsáveis por revelar novas camadas da estrutura criminosa.

O primeiro inquérito teve como foco dois presos que estavam com os manuscritos. O material foi analisado e mostrou referências a ordens internas do PCC, contatos com integrantes da alta cúpula da facção e menções de ações violentas contra servidores públicos. Os dois indiciados foram condenados e presos no sistema federal.

Entre os trechos analisados, os investigadores notaram a citação de uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados.

A menção originou o segundo inquérito, que buscou identificar quem seria a mulher dos bilhetes, e qual seria a relação dela com a transportadora de cargas e com o grupo criminoso. A polícia chegou até a empresa em Presidente Venceslau, reconhecida depois como uma empresa de fachada usada pelo PCC para lavar dinheiro.

A polícia iniciou a Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.

Nesta operação, houve a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, indicado como operador central. Assim, o MP e a Polícia Civil conseguiram ainda mais informações sobre a dinâmica da lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Uma nova frente de investigação foi aberta, para apurar suspeitas de repasses financeiros e supostas conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional.

(*Com informações do Estadão)

Fonte: Portal Terra
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