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De acesso fácil, armas usadas em massacre são eficientes

Agressores levaram revólver, besta e até jet loader, municiador rápido

14 mar 2019
03h25
atualizado às 07h44
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As armas usadas pelos agentes da tragédia em Suzano são simples, fáceis de comprar e de usar: eficientes na tarefa de ferir e matar. O revólver calibre 38 é mercadoria de preço alto. Nas lojas vale acima de R$ 3,1 mil, fora as despesas e as taxas legalização. No mercado paralelo, a cotação é variável - começa em R$ 300 para a diária do aluguel, prática comum entre marginais. Mais impressionante é que tenham recorrido ao 'jet loader', o municiador rápido encontrado com Luiz Henrique e Guilherme Taucci Monteiro.

Armas que foram utilizadas em um ataque na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira (13)
Armas que foram utilizadas em um ataque na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira (13)
Foto: FELIPE RAU / Estadão

Funciona assim: os projéteis são inseridos em um tubo compacto que, depois, é aplicado manualmente sobre o tambor onde são colocadas as 'balas' do revólver - acionada por uma mola, a transferência, após os disparos de toda carga, é feita em segundos.

No arsenal da dupla de assassinos havia também um arco comum, flechas e uma besta, a versão moderna de uma arma muito antiga - os primeiros modelos surgiram na China e na Europa mediterrânea há 2,5 mil anos. Violenta, precisa e mortal, a balestra, o outro nome da mesma arma, é o ramo mais distante na árvore genealógica dos fuzis. Os tipos mais recentes são usados por esquadrões das forças especiais de exércitos de todo o mundo.

No Brasil, a Infantaria de Selva e possivelmente também times de paraquedistas e de mergulhadores de combate adotam o equipamento para cumprir missões determinadas - em emboscadas, na neutralização de atiradores ('snipers') de precisão ou quando o silêncio é essencial.

A besta dispara setas metálicas sem ruído. Embora haja variantes de grande porte, com culatras e muitos acessórios óticos, o arranjo mais comum é o menor, descomplicado, com empunhadura semelhante a de uma pistola. O dardo é assentado sobre um trilho e lançado pela corda sintética retesada de um arco, acionado por um gatilho. O alcance passa de 20 metros com pouco mais de 23 kg de força.

Ao menos duas variações militares podem produzir o impacto de um tiro de 9mm. A princípio a balestra pode ser comprada sem restrições - é vendida quase como se fosse um equipamento de lazer - o custo vai de R$ 200 a até cerca de R$ 8 mil.

Estadão

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