Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Polícia

Casal gay diz ter sido espancado em boate no Rio

3 nov 2009 - 03h15
Compartilhar

Embora more no melhor destino gay do mundo, um casal de rapazes viveu na pele o preconceito contra homossexuais. Eles acusam dois seguranças da Le Boy, famosa boate gay do Rio de Janeiro, em Copacabana, de os terem espancado porque trocaram beijos na pista de dança.

André e Marcos ficaram afastados do trabalho devido às lesõesO professor André, 26, e o consultor de vendas Marcos (nomes fictícios), 29, deram queixa de lesão corporal na 13ª DP (Ipanema). "Eles nos batiam, um repetia: 'veado tem que apanhar'", lembra André, que teve dedo fraturado, escoriações no corpo e está sem trabalhar há 50 dias. Marcos levou 11 pontos na cabeça.

A surra foi em 13 de setembro, na Rua Júlio de Castilhos, vizinha à Raul Pompéia, onde fica a Le Boy. O casal saiu de lá às 5h e foi surpreendido por um segurança identificado como Jr. Bruto, que, na boate, havia exigido que o casal fosse para o ¿dark room¿, espaço destinado a carícias mais ousadas. Outro segurança juntou-se a Bruto no espancamento. A delegada Monique Vidal mandou intimar o dono da Le Boy, Gilles Lascar, que disse desconhecer o caso e não aceitar esse tipo de atitude de funcionário.

Um dia depois da 14ª Parada Gay e um mês após eleita sede da Olimpíada 2016, o Rio ganhou novo título: melhor destino gay do mundo. Foram dois meses de votação no site TripOutTravel e no canal americano Logo, da MTV, voltado para o segmento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). O Rio foi escolhido por mais de 100 mil pessoas, deixando para trás Barcelona, Buenos Aires, Londres, Montreal e Sidney. Para festejar, está marcada concentração entre Ipanema e Arpoador, no domingo, num evento semelhante à Parada Gay.

"É mais um reconhecimento da hospitalidade do povo, que faz os visitantes se sentirem em casa. É um orgulho ser prefeito de uma cidade que respeita e valoriza as diferenças", disse o prefeito Eduardo Paes, lembrando o título carioca de cidade mais feliz do mundo.

No site, a cidade é descrita como local de pessoas amigáveis, belezas naturais e curiosas histórias envolvendo o público LGBT. Sugere passeio na Lapa, apresentada como bairro de Madame Satã, transformista famoso nos anos 30. Mas as mais fortes referências são à Zona Sul. A Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, é apontada como a mais gay do Rio, e Copacabana como local para curtir com público selecionado.

"A Parada Gay mostrou que o Rio sabe receber bem todos", disse o secretário especial de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello. Para o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, a responsabilidade aumenta: "temos que consolidar políticas públicas voltadas a esse público. Este mês, lançaremos um disque-cidadania gay e 10 centros de referência de apoio jurídico e psicossocial a homossexuais vítimas de violência".

Segundo Nascimento, a falta de registro dos casos dificulta a repressão à violência. Pesquisa do Grupo Arco-íris, Uerj e Universidade Cândido Mendes aponta que só 8% dos homossexuais no estado denunciam agressão ou discriminação sofrida. Ao todo, 70% dizem ter sido vítima de violência e 82% só contaram o caso a um amigo.

O Dia O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra