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Polícia

Alexandre Nardoni chora e diz que acusações são "mentirosas"

25 mar 2010 - 12h33
(atualizado às 13h21)
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João Baxega
Direto de São Paulo

Em seu testemunho perante o júri popular, Alexandre Nardoni chorou e se emocionou diversas vezes ao lembrar dos fatos ocorridos em 29 de março de 2008, quando sua filha Isabella morreu depois de cair da janela do apartamento onde morava com Anna Carolina Jatobá, em São Paulo. Os dois são acusados de matar a menina. Mas ainda na leitura da acusação pelo juiz Maurício Fossen, Nardoni negou que tenha matado a filha. "Falsa essa acusação. Completamente mentirosa. Isso não existe", disse.

Segundo Cembranelli, acareação é ato de desespero:

As atividades no plenário do Fórum de Santana nesta quinta-feira começaram com manifestações de emoção, diferentemente dos dias anteriores. Ao entrar na sala, Nardoni viu a mãe na plateia. Ela se levantou com a outra filha, Christiane, foi até a frente com um terço na mão, bateu no peito e disse "meu filho". Os três choraram. As duas voltaram aos seus lugares e Christiane fez uma oração com a mão levantada ao céu.

O acusado começa o testemunho relatando a rotina de sexta-feira para sábado na noite do crime. Segundo ele, as crianças brincaram com motos elétricas e foram para a piscina, onde Isabella ensinou Pietro (outro filho do casal) a mergulhar. Neste momento, Nardoni volta a chorar no plenário. Recuperado, Nardoni continua o relato e diz que da piscina, foram para um supermercado em Guarulhos e em seguida para o apartamento da família Jatobá. Lá, brincaram pulando na cama dos pais de Anna Carolina, jantaram e voltaram para o edifício London. O pai de Isabella nega que tenha havido discussão dentro do carro, como consta na acusação.

O pai da vítima ainda conta que estacionou o carro e perguntou à mulher quem levariam primeiro para cima, já que as três crianças estavam dormindo. Os dois decidiram levar Isabella e Jatobá permaneceu no carro. Ele relata que subiu ao apartamento, colocou Isabella na cama, acendeu o abajur e seguiu para o quarto dos meninos, onde fechou a fresta aberta e travou a janela. Em seguida, ele teria arrumado a cama dos meninos e saído da casa sem trancar a porta, apenas fechando. Neste momento, o juiz pediu para Nardoni descrever a fechadura e o acusado conta que ela tinha uma peça faltando, que não foi trocada porque o casal pretendia trocar a porta.

Em seguida, Nardoni conta que desceu, encontrou Jatobá e subiu com os outros dois meninos. De acordo com ele, no momento em que entraram no apartamento, Jatobá deixou o sapato na cozinha e ele percebeu que, em vez do abajur, a luz do quarto estava acesa. O pai conta que pensou que Isabella tivesse caído da cama, mas não viu a criança no chão e assim foi para o quarto dos meninos. Ele relata que observou um buraco na tela da janela, colocou a cabeça para fora e pôde ver Isabella embaixo, já caída. O acusado conta que entrou em choque e pediu imediatamente para Jatobá ligar para os pais dele e dela.

Após isso, Nardoni disse que deixaram a porta aberta e desceram todos ao jardim. Jatobá teria ficado no hall do prédio, enquanto ele foi até Isabella. Ao lado da filha, o pai diz que colocou o ouvido no peito da menina e pôde sentir o coração dela batendo acelerado. "Calma filha, calma", afirmou Nardoni sobre o que teria falado à criança. O acusado conta em seguida que o porteiro chegou e saiu na sacada o morador do primeiro andar, que o orientou a não mexer na menina para não prejudicar o socorro.

O pai da vítima disse que policiais da corregedoria, que fica próxima ao edifício, chegaram ao local rapidamente. Ele explica aos jurados que a versão de um suposto arrombamento pode ter sido provocada pela peça que faltava na fechadura, mas ele confirmou que não houve uma entrada forçada em seu apartamento. "Filha tenha calma, vai chegar a ambulância", disse Nardoni no plenário, lembrando o que teria falado a Isabella no jardim. Em seguida, Nardoni relata que pediu a Jatobá para telefonar para Ana Carolina e solicitar a sua presença no local. Ele afirmou que muita gente entrou no prédio enquanto isso e, por este motivo, pediu para que portão fosse fechado. Com a chegada da ambulância, lembra que colocaram Isabella em uma maca e a entubaram. Segundo o pai, o veículo de socorro ficou muito tempo parado em frente ao edifício London, mas somente Ana Carolina Oliveira pôde entrar na ambulância.

"Foi o pior dia. Não sei como descrever esse dia. Perdi tudo que tinha de mais valioso", disse, chorando pela terceira vez. Ele disse ter sido levado ao local onde estava o corpo de Isabella e não acreditar que estava vendo a filha morta na maca. "Estava indo embora a minha vida ali. Eu briguei para ela nascer, porque a mãe da Ana Oliveira queria que ela abortasse", afirmou. Neste momento, o irmão de Ana balançou a cabeça negativamente e o avô materno de Isabella sorriu com ironia.

Ele seguiu com a fala chorosa quando relatou a divisão dos brincos que Isabella usava no dia do crime. Ele ficou com um e a mãe, com outro. Nardoni falou também que foi preciso identificar o corpo no necrotério. "Não desejo para meu pior inimigo entrar num lugar desse para reconhecer a filha dentro de um saco preto", afirmou.

O depoimento dos réus, um dos momentos mais aguardados do caso, deve tomar quase todo o dia. Ainda existe a possibilidade do advogado de defesa do casal, Roberto Podval, solicitar a acareação, fato que colocará frente a frente os acusados com a mãe da vítima, Ana Carolina Oliveira, que se encontra isolada no Fórum de Santana desde a última segunda-feira, dia em que foi ao plenário e abriu os testemunhos diante do júri. Após mais este procedimento, o conselho de sentença se reúne e vota os quesitos para determinar a condenação ou absolvição do casal. Em seguida, o juiz Maurício Fossen fará a leitura da decisão do júri no Plenário.

O caso

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

Fonte: Redação Terra
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