Nenhum sistema é 100% seguro, diz chefe de segurança de Lula
O diretor-geral do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações (DSIC) do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, Raphael Mandarino Júnior, afirmou nesta sexta-feira que nenhum sistema de infraestrutura é 100% seguro. A avaliação diz respeito à hipótese de hackers terem invadido o sistema do governo brasileiro e causado o apagão do último dia 10.
"Nenhum sistema é 100% seguro, porém, nosso atraso tecnológico nos mantêm mais protegidos", disse Mandarino. Os sistemas de estrutura do País são isolados, isto é, funcionam fora da rede da internet. Segundo o diretor-geral do DSIC, isso diminuiria a chance de invasão de internautas mal-intencionados.
"Um hacker habilidoso poderia fazer qualquer coisa, mas sem o sistema na internet a possibilidade é bem menor", afirmou.
Sobre as declarações repercutidas da mídia internacional, de que os blecautes de 2005 e 2007 no Brasil seriam obra de hackers, Mandarino afirmou: "De tudo que avaliei sobre o apagão, não existem evidências de que o fato tenha decorrido de um ataque".
O apagão
Na terça-feira, dia 10 de novembro, as 18 unidades geradoras da usina de Itaipu começaram a "rodar no vazio" - ou seja, não conseguiam passar eletricidade para a rede distribuidora. O problema atingiu pelo menos 18 Estados, sendo que quatro deles (Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo) ficaram completamente às escuras. Acre, Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Rondônia foram parcialmente atingidos pela falta de luz.
Três linhas de transmissão com problemas teriam causado o apagão. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a causas mais prováveis do ocorrido teriam sido as condições meteorológicas adveresas.
Com 18 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada, a usina binacional de Itaipu fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), 28,8 mil megawatts de potência foram perdidos com a pane (cerca de 40% da energia do Brasil), o que impossibilitou o fornecimento para as demais regiões. Para abastecer o Estado de São Paulo, por exemplo, são necessários cerca de 17 mil megawatts.