Doação consciente: conheça boas práticas para ajudar vítimas de desastres
Apesar de doar mantimentos ser um gesto nobre, certos insumos podem não ser os mais adequados dependendo da situação; entenda
Com as mudanças climáticas intensificando a ocorrência de desastres naturais, a necessidade de doações eficientes e coordenadas se torna cada vez mais urgente. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil registrou mais de 1.600 ocorrências em 2024, incluindo enchentes e deslizamentos que afetaram milhares de pessoas em diversas regiões.
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Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de seguir protocolos adequados ao fazer doações para garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa, evitando desperdício e sobrecarga nos sistemas locais.
A organização brasileira HUMUS, que atua em resposta emergencial e prevenção de desastres, alerta que a doação sem planejamento pode se tornar um problema. Segundo Leo Farah, fundador da HUMUS, “doar sem estratégia pode ser mais um problema do que uma solução. É essencial compreender as demandas locais, ouvir as instituições especializadas e agir com responsabilidade. Cada recurso desperdiçado é uma oportunidade perdida de transformar vidas”.
Farah destaca que um dos principais erros é doar sem entrar em contato com os pontos focais das regiões afetadas. Muitas vezes, as pessoas enviam itens sem considerar a real necessidade dos desabrigados. “Chegam muitas cestas básicas, mas as famílias não têm fogão para cozinhar. Ou então, enviam garrafas de 300ml de água, quando uma pessoa precisa de seis a oito litros diários para sobreviver. Esse excesso de embalagens vira lixo, e os sistemas de coleta muitas vezes estão colapsados”, explica.
A melhor forma de contribuir, segundo a HUMUS, é por meio de doações em dinheiro para organizações confiáveis e com experiência em desastres. Dessa forma, é possível adquirir produtos no comércio local, reduzindo custos e fomentando a economia da região atingida. "Para cada US$ 1 investido em prevenção, economizamos US$ 7 na recuperação de comunidades impactadas por desastres", acrescenta Farah, citando dados da World Meteorology Organization.
Outra questão importante é garantir que a entidade que receberá os recursos seja idônea e especializada. “Com o acesso à internet, é possível verificar se a instituição tem CNPJ inscrito como organização sem fins lucrativos, saber quem são seus fundadores e entender quais missões já realizou”, orienta Farah. Ele reforça que muitas instituições bem-intencionadas, mas sem experiência em desastres, podem acabar prejudicando o processo de ajuda.
A HUMUS também busca parcerias com empresas que possam contribuir com produtos essenciais, como colchões, eletrodomésticos e roupas íntimas, itens pouco doados, mas fundamentais para a reconstrução da vida das famílias afetadas.
A eficiência das doações depende de planejamento, comunicação clara entre doadores e beneficiários e de um entendimento sobre as reais necessidades da região atingida. Para mais informações sobre como contribuir de maneira consciente, acesse o site da HUMUS: www.humusbr.org.br.