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Com contato proibido entre Valdemar e Bolsonaro, PL perde força e estratégia eleitoral

Bolsonaro é presidente de honra do PL e seu ex-companheiro de chapa em 2022, o general Walter Braga Netto, o secretário do partido

12 fev 2024 - 10h49
(atualizado às 11h43)
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Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto em cerimônia de filiação ao PL
Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto em cerimônia de filiação ao PL
Foto: Divulgação/PL / Estadão

Em um ano eleitoral, a operação da Polícia Federal que implicou o ex-presidente Jair Bolsonaro, alguns de seus principais aliados e o presidente de seu partido (PL), Valdemar Costa Neto, poderá ter um impacto direto nos planos para as eleições municipais deste ano e até mesmo para atuação do partido no Congresso.

Uma das principais medidas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal ao qual está ligada a operação, é que os envolvidos na investigação não conversem ou tenham qualquer tipo de contato entre si. Isso inclui Bolsonaro e o presidente de seu partido.

A impossibilidade de coordenação da ação política entre o presidente do partido -- liberado no domingo, depois de ter sido preso na quinta-feira, durante a operação, por porte ilegal de arma e posse de uma pepita de ouro sem origem comprovada -- e quem deveria ser seu principal cabo eleitoral pode afetar diretamente o desempenho sonhado por Valdemar para o PL nas eleições deste ano.

"As demais cautelares fazem parte do processo, mas a proibição do presidente Bolsonaro e do presidente Valdemar se comunicarem inviabiliza completamente a atividade eleitoral do partido", disse à Reuters o deputado Filipe Barros (PL-PR). "É uma determinação ilegal e tem claramente o intuito de atrapalhar o PL nessas eleições."

Quem são os aliados de Bolsonaro investigados pela operação da PF? Quem foi preso? Quem são os aliados de Bolsonaro investigados pela operação da PF? Quem foi preso?

Barros lembra que em 30 dias abre a janela eleitoral e o partido precisa definir quais serão seus candidatos em quais prefeituras, a formação das chapas para vereadores e a agenda de viagens que se planeja para Bolsonaro, que seria o principal cabo eleitoral do PL na campanha.

O ex-presidente é presidente de honra do partido e seu ex-companheiro de chapa nas eleições de 2022, o general Walter Braga Netto, o secretário de relações institucionais. Pela decisão de Moraes, nenhum dos três pode ter contato.

O partido tem hoje 339 prefeituras. A meta de Valdemar era, inicialmente, chegar a 1000, mas já havia falado em 1500, e tentar aumentar consideravelmente o tamanho do partido no Nordeste. Tudo com base na popularidade que Bolsonaro ainda tem, com cerca de 20% eleitores fiéis, independentemente das denúncias.

"A oposição liderada por Bolsonaro realmente será duramente atingida por isso. O partido pede musculatura política e vai ter que certamente refazer seus planos de triplicar o número de prefeitos nas próximas eleições", disse à Reuters André César, analista da Hold Assessoria Legislativa.

A operação da última quinta-feira aconteceu dentro da investigação do envolvimento de membros do antigo governo, das Forças Armadas e de aliados próximos de Bolsonaro na tentativa de um golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder.

Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro não pode ter contato com nenhum dos outros investigados. Isso inclui, além de Valdemar, auxiliares próximos, como Tércio Arnaud -- um dos responsáveis pelo chamado gabinete do ódio -- e Braga Netto. Além disso, o ex-presidente teve seu passaporte retido pela Justiça.

Veja a íntegra da reunião ministerial de Bolsonaro encontrada pela PF e usada em decisão de Moraes:

Um parlamentar próximo a Valdemar que pertencia ao PL e deixou o partido por problemas regionais, disse à Reuters que o efeito na estratégia do partido este ano é "enorme".

"É um desgaste enorme para um partido que tinha a meta de ampliar sua base de prefeitos este ano. Como você coordena uma eleição se o presidente e seu principal cabo eleitoral não podem conversar? Afeta toda a estratégia do partido", disse, em condição de anonimato por não estar mais no PL.

O parlamentar lembra que o partido já tem muitas dificuldades internas com a entrada do grupo de direita radical encabeçado por Bolsonaro, que acabou trazendo muitas divisões. Cabia a Valdemar mediar esses conflitos, junto com Bolsonaro, em um diálogo hoje impossível.

O maior beneficiado, diz, certamente será o partido do governo e seus aliados.

"Se alguém perde, alguém se beneficia. Sem dúvida, o PT e os aliados vão ser beneficiados diretamente ou indiretamente com essa desarticulação no PL, que é o principal partido de oposição. Se isso se reflete em resultado, não temos como saber ainda. Mas sem dúvida prejudica", afirmou.

Parlamentares do partido ouvidos pela Reuters se mostraram apreensivos com o que classificaram com um ataque proposital ao PL.

O deputado José Medeiros (PL-MT) disse à Reuters que a investigação é "uma operação conjunta do STF e do governo Lula para destruir o grupo de Bolsonaro", que poderia vencer as eleições deste ano e eleger um presidente em 2026.

"É uma disputa eleitoral. Mas a ação da polícia vai unir o Brasil contra Lula", disse.

O partido não respondeu ao pedido da Reuters para comentar o tema.

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