Turistas relatam sentimento após encontrarem câmeras espiãs em apartamentos: 'Um baque'
Dois casais já passaram por isso em diferentes cidades; realizar qualquer tipo de registro íntimo sem consentimento é considerado crime
O sonho de férias tranquilas para dois casais não foi concretizado ao descobrirem câmeras espiãs apontadas para suas camas em quartos de hospedagem. O caso mais recente envolve um casal paulista que alugou um apartamento em um condomínio residencial na praia de Muro Alto, considerada uma das mais bonitas de Porto de Galinhas, no litoral pernambucano.
Em entrevista ao Fantástico, o homem, que preferiu não se identificar, relatou como que ele e a companheira fizeram a descoberta de uma câmera escondida apontada para cama.
"Eu fui colocar o carregador na tomada lá e ela não tinha acesso - nem em cima, nem na tomada de baixo -, mas até aí tudo bem. Foi quando, através do flash do celular que estava ligado, refletiu uma luz da tomada. Era do celular da minha esposa... Ela chegou perto e viu que tinha uma lente de câmera lá no buraco do pino do meio da tomada. Teve um baque na hora, né? Medo. O que que está acontecendo? Pra onde estão indo essas imagens? Porque é uma situação que é grave. Quem tem a vida íntima de nós, casados, indo não se sabe para onde. Minha esposa está muito mal por isso. Ela está cismada até com a tomada nas nossas casas", contou.
Sobre esse caso, a polícia já ouviu o atual proprietário do apartamento e planeja ouvir proprietários anteriores. Em nota enviada ao Fantástico, a empresa que administra o condomínio afirmou que toda a responsabilidade pela organização das unidades residenciais é exclusiva de seus proprietários, lamentando e repudiando qualquer violação ao direito de privacidade. A empresa intermediária da locação também lamentou o ocorrido e anunciou que o imóvel permanecerá suspenso para locação durante as investigações.
O segundo caso envolve as tatuadoras Kaju e Ana Guimarães, que, em novembro de 2022, se hospedaram em um apartamento no Rio de Janeiro. Um ano depois, elas ainda sofrem as consequências do trauma.
Ana descreveu ao programa da TV Globo o sentimento de invasão de privacidade. "Pegava toda a cama, todo o quarto, saída do banheiro também. Foi como estar nua diante de milhares de pessoas e ainda não sabemos quem são, como são, para que. Eu tive alopecia. Meu cabelo que é imenso e forte caiu. Tudo isso, esse medo de exposição, de estar sendo constantemente gravada, é o que ficou. E sem nenhuma resposta, o que gera uma ansiedade ainda maior pela impunidade"
As vítimas, abaladas, relatam mudanças em suas vidas após o ocorrido. "Nós não saímos tanto de casa mais, a gente evita lugares que estão muito cheios. A gente realmente criou uma certa barreira depois de encontrar essa câmera", acrescentou Kaju.
Realizar qualquer tipo de registro íntimo sem consentimento é considerado crime, sujeito a pena de seis meses a um ano de detenção. Contudo, no caso de Ana e Júlia, até o momento, o responsável pelo crime permanece desconhecido. A polícia afirma que novas investigações serão realizadas.
Ao programa, Chiara de Teffé, advogada e coordenadora do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, orienta que, caso a pessoa seja vítima de um crime como esse, grave e registre a situação como prova do dano que sofreu, depois registre boletim de ocorrência e ingresse com processo cabível.
O consultor de segurança Sebastião Santos afirmou ao Fantástico que algumas dicas podem ajudar a identificar câmeras espiãs. "Você tem que observar todo tipo de dispositivo que possa estar direcionado para a cama, onde você vai estar".
Televisores, moldens de internet, tomadas, luminárias e até em pequenas entradas do ar-condicionado é possível esconder uma câmera. Outra dica importante é ligar a lanterna do celular próxima a esses dispositivos, ou fazer fotos e vídeos usando o flash. Se houver câmera escondida, a tendência é que haja um reflexo de luz.