Suspeito de comprar armas para o Comando Vermelho expõe procedimentos estéticos em fotos
Segundo jornal, Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, vivia em uma casa confortável no Alemão e fazia procedimentos estéticos
Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor e suspeito de ser o responsável por comprar fuzis e pistolas para o Comando Vermelho, tinha uma rotina de luxo dentro do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segundo mensagens e fotos anexadas ao inquérito da Polícia Federal (PF), as quais o jornal O Globo teve acesso, ele vivia em um casa confortável e usufruía de procedimentos estéticos, como lipoaspiração na barriga, implante capilar e clareamento dental.
Conforme a publicação, em uma das mensagens, Gregório diz que não sai da comunidade há pelo menos três anos. No dia 25 de janeiro de 2022, ele fala para um dos contatos que vai "mexer no dente". Além disso, lista gastos como "depósito doutora", "material dentário" e "clínica", e envia fotos que mostram parte de um equipamento odontológico.
Já no dia 25 de setembro do ano passado, ele também afirma a outro contato: "Fiz uma parada estética hoje. Melhoria no rosto com fio de PDO". Ele envia uma foto que mostra um profissional com uma pinça na altura de seu maxilar.
A investigação ainda rastreou fotos que expõem Gregório sendo submetido a um implante capilar dentro da própria casa, imagens e conversas que apontam que ele recebeu atendimento médico em casa em 2021 e fotos de uma lipoaspiração na barriga.
Em outras conversas interceptadas, Gregório exibe inclusive o poder sob os moradores do Alemão. Em um dos diálogos, uma mulher pergunta se pode dar entrevista a uma equipe de TV sobre a paralisação do teleférico que cruza a favela. Ele não dá permissão e afirma que não quer o teleférico de volta.
Na semana passada, Gregório foi alvo de um mandado de prisão preventiva na investigação que identificou movimentação financeira de R$ 1,2 bilhão por quadrilha em três anos. Ele está foragido. O traficante já havia sido preso pela PF, em 2015, por contrabando de drogas e armas. Ele foi condenado a 14 anos, mas deixou a cadeia em 2018 após receber benefício de visita ao lar e não retornar ao Instituto Penal Edgard Costa, no Rio de Janeiro.
A Operação Dakovo
No dia 5 de dezembro, a polícia do Brasil e do Paraguai deflagraram a Operação Dakovo, de combate ao tráfico internacional de armas.
De acordo com a PF, uma empresa sediada em Assunção, no Paraguai, foi responsável pela importação de milhares de pistolas, fuzis e munições de vários fabricantes europeus sediados na Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia. No Paraguai, as armas eram raspadas e revendidas a grupos de intermediários que atuavam na fronteira do Brasil com Paraguai, para serem revendidas às principais facções criminosas do Brasil.
"Estima-se que desde o início das investigações, a empresa investigada importou cerca de 43 mil armas para o Paraguai movimentando em 3 anos cerca de R$ 1,2 bilhão de reais", informou a PF.