Senador que matou a filha: quem foi Peixoto Gomide, que deixará de ser nome de rua em SP
Advogado e político influente do início do século 20, Gomide assassinou a própria filha de 22 anos por não aceitar o relacionamento dela
Cravada entre a Avenida Paulista e a Avenida 9 de Julho, uma rua de aproximadamente 2 quilômetros remete a um dos crimes mais sangrentos da história da cidade de São Paulo. A Rua Peixoto Gomide, que liga os bairros da Bela Vista, Consolação e Jardim Paulista, homenageia o político Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, que, em 1906, matou a própria filha, Sophia Gomide, às vésperas do casamento dela. Gomide, então senador por São Paulo, suicidou-se em seguida.
A edição do dia 21 de janeiro de 1906 do Estadão descreve o espanto e a indignação causados pelo crime. O então presidente do Senado, Peixoto Gomide, assassinou sua filha com um revólver Smith & Wesson.
"Viam-se traços de dolorosa surpresa em quase todas as fisionomias. Aqui e ali formavam-se grupos. Pessoas conhecidas iam e vinham apressadamente por entre a multidão. Faziam-se perguntas e comentários, pediam-se pormenores. Como foi? Porque seria? Estão ambos mortos? Vive ainda? Pode salvar-se?", descreve a reportagem do Estadão.
Advogado e político influente do início do século 20, Peixoto Gomide matou a filha de 22 anos, dentro da casa da família, na Rua Benjamin Constant, em São Paulo, a menos de 4 quilômetros da atual rua que leva o nome do senador.
O crime teria sido motivado pela não aceitação do noivado de Sophia com o poeta e promotor público de Itapetininga, Manuel Baptista Cepelos. O casamento estava marcado para acontecer uma semana depois.
Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo, Gomide foi promotor público da comarca de Amparo em São Paulo. Lá, em 1880, fundou com Bernardino de Campos o jornal republicano A Época, passando a trabalhar em defesa dos ideais republicanos.
Em 1888, retornou para a capital paulista e passou a se dedicar à advocacia e ao jornalismo. Pouco depois, em 1893, foi eleito para o Senado.
Na política, chegou a ocupar interinamente o posto de presidente do Estado de São Paulo - cargo equivalente ao de governador na época - em 1986. Foi eleito naquele ano, vice-presidente do Estado, onde ficou até 1900. Após deixar o governo, foi eleito sucessivamente como senador, até o ano de 1906, em que matou a própria filha.