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SC: governo volta atrás após dizer que fumaça de explosão 'não seria tóxica'

25 set 2013
21h33
atualizado em 26/9/2013 às 14h11
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A declaração do diretor da Defesa Civil de Santa Catarina, Milton Hobus, de que a fumaça gerada pelo incêndio em um depósito de fertilizante em São Francisco do Sul não era tóxica, gerou muita polêmica no Estado. Durante a tarde desta quarta-feira, Hobus chegou a declarar que a fumaça "não seria tóxica, e sim, oxidante". Após duras críticas nas redes sociais, o dirigente da Defesa Civil voltou atrás e considerou que a população deveria evitar a inalação da substância.

Incêndio em depósito de fertilizantes em São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, trouxe risco de intoxicação
Incêndio em depósito de fertilizantes em São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, trouxe risco de intoxicação
Foto: Arcanjo/Corpo de Bombeiros de SC / Divulgação

"A orientação da gerência de produtos perigosos da Defesa Civil é para que as pessoas se mantenham distantes da área no raio de um quilômetro, pelo menos", afirmou em nota oficial. "Estamos orientando a população para que evite inalar essa fumaça, pois pode provocar irritações nos olhos, pele e garganta. A irritação pode durar em média duas horas, se inalada em pouca quantidade", completou.

Entretanto, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, coronel Marcos Oliveira, alertou que a saúde pode sofrer vários danos em caso de inalação direta da fumaça. "O risco é quando há inalação direta. Para evitar contaminação, as pessoas foram retiradas logo no início do sinistro, num raio de 800 metros", afirmou.

A Associação Nacional de Biossegurança emitiu um comunicado alertando que a fumaça que vazou do depósito é "extremamente tóxica". "A substância é perigosa, cancerígena e, em alta exposição, mortal", segundo a pesquisadora Leila Macedo, presidente da entidade.

"Ao entrar em contato com o calor, o nitrato gera o gás amônio, que é, sim, tóxico. É uma irresponsabilidade falar que não existe ameaça para a população local. Pelo que pudemos acompanhar, a fumaça é densa. Por isso, é importante que não haja nenhum contato direto e que as pessoas que já tiveram acesso ao local procurem os especialistas."

O comandante geral do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, Marcos Oliveira, declarou na noite desta quarta-feira que menos de um quarto do material existente no depósito foi retirado do local para resfriamento. Não há prazo, segundo ele, para que a operação seja finalizada. O objetivo dos militares é chegar ao centro do armázem, considerado como o "foco" do incêndio químico. 

Máscaras de proteção
A Marinha distribuiu máscaras para a população ainda durante a madrugada, de forma preventiva, e o comando do 62º Batalhão de Infantaria da cidade de Joinville organizou uma equipe para atuar em São Francisco do Sul e prestar auxílio ao Corpo de Bombeiros. Ao todo, militares e voluntários de nove cidades trabalham no combate ao incêndio. O acidente fez com que milhares de pessoas deixassem a cidade. De acordo com a Defesa Civil local, mais de 100 pessoas procuraram atendimento médico.

Fonte: Especial para Terra
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