Prédio será demolido no Rio; 100 moradores deixam local
O edifício Riviera, na avenida Gilka Machado, no Recreio, Rio de Janeiro, interditado pela Defesa Civil terça-feira, será demolido. Os 100 moradores dos 28 apartamentos sentiram tremores e estalos em imóveis no terreno vizinho e deixaram as casas. A decisão foi tomada por fiscais da Secretaria Municipal de Urbanismo, após constatar que o solo é arenoso e oferece riscos. O laudo oficial deverá sair nos próximos dias.
Os moradores pagaram entre R$ 70 mil e R$ 100 mil pelos apartamentos. Na segunda-feira, outros dois imóveis, de dois andares cada um, construídos nos fundos do Riviera, serão derrubados. Sem habite-se, o Riviera, que tem cinco andares, foi construído há um ano e meio.
"Investi R$ 70 mil num apartamento no quarto andar. Agora sou um sem-teto", lamentou o empresário alemão Michael Karczewski, 58 anos, que afirmou também que vai processar o construtor, Osvaldo Fernandes, e a prefeitura. "Meu irmão, Mauro, também entrou nesta furada. Esperamos justiça", comentou Jorge Monteiro, 54 anos.
Na quarta-feira, Fernandes não foi encontrado para comentar a decisão dos fiscais de derrubar o prédio. No dia anterior, ele havia dito que estava disposto a regularizá-lo. Segundo os técnicos, além de não possuir nenhuma documentação, o Riviera foi construído em solo arenoso. Um depósito ilegal de gás que funcionava ao lado do Riviera, multado terça-feira, amanheceu vazio.
Campeões de irregularidade
De acordo com a secretaria, Recreio, Barra e Jacarepaguá são os campeões de construções clandestinas na cidade. Das 1,3 mil obras embargadas no município em 2008, 324 estavam na região, onde outras 1,3 mil receberam notificações por falta de documentos.
Mesmo assim, muitos edifícios foram concluídos e vendidos, caso do Riviera. Técnicos do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) também vistoriaram o Riviera e condenaram a construção para o tipo de solo do local.