Justiça condena ex-síndica por esquema de falsas vendas de imóveis em Caxias do Sul
Golpes aplicados dentro do próprio condomínio resultaram em penas que somam 25 anos de prisão e mais de R$ 2 milhões em prejuízos
Uma ex-síndica de um condomínio residencial de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, foi condenada pela Justiça por liderar um esquema de estelionato baseado na falsa comercialização de apartamentos. As condenações, decorrentes de três ações penais distintas, totalizam 25 anos de prisão, além da aplicação de multas e da obrigação de ressarcir as vítimas pelos prejuízos sofridos.
Segundo as investigações, a mulher se aproveitava da função que exercia no condomínio para dar aparência de legalidade aos negócios. As vítimas eram recebidas no próprio local, tinham acesso a apartamentos — em alguns casos apenas visualmente ou a unidades semelhantes — e assinavam contratos que simulavam negociações regulares. Para reforçar a credibilidade, a então síndica orientava que os pagamentos fossem feitos na conta bancária oficial do condomínio, a qual ela administrava com exclusividade.
Conforme informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, após o ingresso dos valores, a acusada desviava o dinheiro para contas pessoais ou de terceiros, sem qualquer comprovação de uso para despesas condominiais. Os imóveis anunciados, no entanto, não estavam à venda nem em processo de leilão judicial, apesar de serem oferecidos como oportunidades abaixo do valor de mercado.
Mesmo depois de receber os pagamentos, a ré mantinha contato com as vítimas e apresentava sucessivas justificativas para o atraso na entrega dos imóveis, alegando entraves judiciais, problemas de saúde ou outras dificuldades. Nenhuma das negociações foi concluída e os valores pagos não foram devolvidos.
Os crimes teriam ocorrido entre os anos de 2020 e 2022. Nesse período, a investigação aponta que a ex-síndica realizou centenas de transferências bancárias irregulares, movimentando mais de R$ 2 milhões. Em um dos processos, que reúne 34 vítimas, o prejuízo apurado ultrapassa R$ 1 milhão.
Em novembro do ano passado, a Justiça condenou a acusada a 20 anos, 2 meses e 10 dias de prisão em regime fechado, além do pagamento de 737 dias-multa, por 34 crimes de estelionato. A sentença foi proferida pelo juiz Rudolf Carlos Reitz, da 3ª Vara Criminal de Caxias do Sul, com base em denúncia do Ministério Público que descreve a oferta de apartamentos supostamente retomados pela Caixa Econômica Federal ou "lacrados pela Justiça".
Mais recentemente, em 12 de janeiro de 2026, a mesma Vara proferiu nova condenação envolvendo outras quatro vítimas, incluindo idosos que chegaram a contrair empréstimos para participar dos falsos negócios. Nesse caso, a pena foi fixada em 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de multa e determinação de indenização mínima, com correção monetária desde as datas dos pagamentos.
Em outra ação penal, julgada pela 4ª Vara Criminal de Caxias do Sul, a ex-síndica foi condenada por um golpe aplicado em 2021, quando uma vítima pagou R$ 15 mil como sinal para a compra de um imóvel que jamais foi entregue. A pena estabelecida foi de um ano de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade, além de multa proporcional ao salário mínimo da época.
As decisões ainda são passíveis de recurso.