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Bolsonaristas tentam invadir sede da PF em Brasília após prisão de indígena apoiador do presidente

13 dez 2022 - 20h44
(atualizado em 13/12/2022 às 00h41)
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Por Ueslei Marcelino e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) -Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, na noite desta segunda-feira, após a prisão pela PF de um líder indígena ligado ao grupo e entraram em confronto com as forças de segurança, que usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para afastar manifestantes armados com bombas caseiras e que atearam fogo a veículos, no maior episódio de violência pós-eleitoral no país.

O confronto teve início com a tentativa de invasão do edifício-sede da PF pelos bolsonaristas depois que José Acácio Serere Xavante foi preso acusado de "envolvimento em protestos antidemocráticos" por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), e se espalhou para outros pontos da região central da capital federal.

Munidos de paus, pedras, fogos de artifício e até mesmo bombas caseiras, manifestantes quebraram vários carros e atearam fogo a pelo menos três deles nas proximidades do prédio da PF. A CNN Brasil mostrou imagens ao vivo de dois ônibus em chamas nos arredores, um deles pendurado na beira de um viaduto.

A polícia, que respondeu com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha, reforçou o policiamento e isolou as imediações do local do conflito, na região central de Brasília, para controlar a situação.

A tentativa de invasão ao prédio da PF e os confrontos com a polícia ocorreram no dia em que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin, foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última formalidade antes da posse em 1º de janeiro.

O policiamento do hotel onde Lula está hospedado recebeu reforço de equipes táticas e da tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal, mas o senador eleito Flávio Dino, indicado por Lula como ministro da Justiça do próximo governo, afirmou que "em nenhum momento" Lula foi exposto a qualquer risco.

"O presidente Lula neste momento está em absoluta segurança e assim seguirá ate o momento da posse e até, portanto, o pleno exercício das suas funções", disse Dino em entrevista coletiva na sede do governo de transição em Brasília.

"Hoje houve a diplomação do presidente Lula. Nós não podemos neste momento achar que há a vitória daqueles que querem o caos. Há infelizmente pessoas desejando o caos antidemocrático, ilegal? Sim, há. Mas essas pessoas não venceram e não vencerão amanhã", afirmou, acrescentando ter plena confiança nas garantias de segurança do governo do Distrito Federal.

Segundo Dino, o presidente acompanhou todos os fatos à distância e está "absolutamente tranquilo" por confiar no trabalho de sua segurança realizado pelo delegado Andrei Rodrigues, que será o próximo diretor-geral da PF.

Apesar das garantias de Dino, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos integrantes da equipe de transição de Lula, criticou o que considerou "tamanha tolerância" das forças policiais do DF com os manifestantes e fez um apelo ao governador Ibaneis Rocha para que tome medidas mais duras diante das ameaças "à integridade física de Lula e Alckmin".

O incidente faz lembrar a invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021 por apoiadores do ex-presidente dos EUA Donald Trump, e também ressaltou as preocupações de segurança para a posse de Lula.

INCONFORMADOS

A iniciativa dos bolsonaristas de forçar a entrada nas instalações da Polícia Federal ocorreu após tomarem conhecimento da prisão de Serere Xavante por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O tribunal informou, em nota, que a prisão temporária, por 10 dias, foi determinada após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) em razão de "indícios de prática dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do Estado Democrático de Direito".

"Segundo a PGR, Serere Xavante vem se utilizando da sua posição de cacique para arregimentar indígenas e não indígenas para cometer crimes, mediante ameaça de agressão e perseguição do presidente eleito e de ministros do STF", acrescentou a corte.

"Não posso aceitar os criminosos reinar no Brasil. Lula não poder ser diplomado", disse Serere Xavante em postagem no Twitter no mês passado.

A Polícia Federal confirmou em nota que o mandado de prisão temporária foi cumprido na noite desta segunda e que o preso foi encaminhado à sede da Polícia Federal. "O preso encontra-se acompanhado de advogados e todas as formalidades relativas à prisão estão sendo adotadas nos termos da legislação, resguardando-se a integridade física e moral do detido", disse.

A PF acrescentou que "distúrbios verificados nas imediações do edifício-sede da Polícia Federal estão sendo contidos com o apoio de outras forças de segurança pública do Distrito Federal."

O atual ministro da Justiça, Anderson Torres, disse em uma postagem no Twitter que a PF manteve "estreito contato" com as forças de segurança do DF desde o início das manifestações, e acrescentou que a situação estava "normalizando no momento".

Muitos apoiadores de Bolsonaro ainda inconformados com o resultado das eleições têm se aglomerado em frente a quartéis generais e também se reunido em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, em defesa de uma "intervenção federal" --o que seria um golpe militar, já que não há previsão legal para isso-- para impedir a posse de Lula.

De acordo com o secretário de Estado de Segurança Pública do DF, Júlio Ferreira, alguns manifestantes que se envolveram nos atos de vandalismo nesta segunda-feira estão acampados em frente ao comando do Exército.

"Quem tiver envolvido em ato de vandalismo, quem tiver cometido crime, será responsabilizado esteja onde estiver", afirmou o secretário na mesma entrevista coletiva ao lado de Dino. "Não será admitido que continuem atos de vandalismo na cidade".

Questionado sobre o número de prisões efetuadas nesta segunda-feira, no entanto, o secretário disse que não tinha conhecimento.

Os protestos inicialmente ocorreram com bloqueios de rodovias federais, que, no entanto, foram desfeitos após aplicação de multas e determinação de Moraes, do Supremo, para que as forças de segurança agissem. Alguns confrontos e incidentes violentos chegaram a ser registrados, mas sem maior gravidade.

Bolsonaro, que nunca reconheceu explicitamente a derrota para Lula, apesar de ter autorizado seu governo a realizar a transição, manteve-se praticamente recluso e em silêncio por mais de um mês após as eleições.

Na última sexta-feira, porém, disse em sua primeira aparição a apoiadores após um longo período que o Brasil está numa "encruzilhada", e que são eles, os bolsonaristas, quem decidem para onde vão as Forças Armadas, instando-os a "fazer a coisa certa".

Indicado por Lula para ser o futuro ministro da Defesa, José Múcio, disse na sexta-feira em entrevista à Globonews, que, com a aparição aos apoiadores naquele dia, Bolsonaro havia colocado "a digital" no estímulo aos atos antidemocráticos.

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