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AF 447: França tentará resgatar corpos em '24 a 48 horas'

3 mai 2011 - 16h05
(atualizado às 16h55)
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O Escritório Francês de Investigação de Acidentes (BEA, na sigla em francês) pretende realizar, dentro de um prazo de "24 a 48 horas", uma tentativa de resgatar corpos dos passageiros do Airbus A330 da Air France que caiu em maio de 2009 no Oceano Atlântico, quando fazia o voo AF 447, entre o Rio de Janeiro e Paris. A informação foi confirmada por uma fonte ligada às buscas.

Submarino Remora 6000 (esq.) localizou as caixas-pretas e os corpos de vítimas do voo AF 447
Submarino Remora 6000 (esq.) localizou as caixas-pretas e os corpos de vítimas do voo AF 447
Foto: BEA / Divulgação

A fonte se mantém, no entanto, muito prudente sobre os resultados desta operação, lembrando que os corpos das vítimas da catástrofe aérea passaram muito tempo submersos. As causas do acidente com o Airbus A330, no qual morreram 228 pessoas, podem ser esclarecidas após a análise das duas caixas-pretas recuperadas domingo e segunda-feira.

A ministra dos Transportes da França, Nathalie Kosciusko-Morizet, havia anunciado que "a fase de retirada do avião poderá ser iniciada dentro de três semanas, um mês", assim como o "resgate dos corpos". "O problema dos corpos é um pouco espinhoso. Há um aspecto traumatizante, não sabemos em que estado estão", disse Robert Soulas, vice-presidente da associação francesa das famílias de vítimas Ajuda Mútua e Solidariedade AF447.

"É muito estimulante para nós que estávamos sem notícias e ainda tínhamos esperança de encontrar os corpos. Vamos poder enfim enterrá-los", afirmou, por sua vez, o brasileiro Nelson Marinho, presidente da Associação das Famílias das Vítimas do Voo AF447 Rio-Paris.

A retirada dos corpos é uma reivindicação das famílias das vítimas e é considerada uma operação delicada pela equipe que lidera as buscas. Segundo o coronel François Daust, diretor do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa (IRCGN, na sigla em francês), responsável por essas operações, não se sabe ao certo se o estado dos corpos permitirá que eles sejam levados à superfície.

O instituto possui um centro especializado na identificação de vítimas de catástrofes. Três especialistas dessa unidade (um legista e dois peritos em identificação de corpos) estão a bordo do navio francês Ile de Sein. "Essa será a operação mais difícil que já realizamos", diz o diretor do instituto, que já atuou em 38 grandes catástrofes, como o tsunami no Sudeste Asiático, o acidente com o avião Concorde, em 2000, o terremoto no Haiti e também em outros casos de queda de aviões no mar.

O voo 447 da Air France fazia a rota Rio-Paris e caiu no Atlântico em 31 de maio de 2009 (pelo horário brasileiro), matando 228 pessoas. Apenas 50 corpos foram resgatados logo após o desastre, sendo 20 deles de brasileiros.

A operação é "muito complicada", diz Daust, porque os corpos do avião da Air France estão há quase dois anos no fundo do mar e também a uma grande profundidade, de 3,9 mil m. "No acidente aéreo na costa de Sharm el Sheikh (no Egito, em 2004, que matou 148 pessoas), não pudemos resgatar os corpos a 800 m de profundidade, e isso somente um mês após a catástrofe", afirma. "Os robôs não conseguiam recuperar os corpos sem danificá-los totalmente. Por isso, desistimos de resgatá-los", diz o coronel.

É certo que as temperaturas da água no litoral egípcio eram bem mais elevadas do que no caso do avião da Air France, que devem se situar entre 4 e 5°C, o que teoricamente facilitaria sua conservação, diz Daust. "Mas apesar das temperaturas serem mais baixas, elas não são de congelamento e dois anos se passaram. Não sabemos o grau de fragilidade dos corpos e se eles resistirão à manipulação do robô."

O coronel afirma que o estado real de conservação dos restos humanos só será conhecido após as primeiras tentativas de resgate. "Só saberemos se ainda restam tecidos humanos após levar os primeiros corpos à superfície", acrescenta. Além disso, a fortíssima pressão da água a quase quatro km de profundidade mantém a estrutura corporal coesa na água. A diminuição da pressão, quando o corpo é içado, pode causar o deslocamento dos ossos, diz Daust.

Os especialistas do instituto francês tentarão colocar os corpos em um tipo de "cesto" para levá-los a superfície, uma operação que levaria, a cada tentativa, dez horas no total. Somente para içá-los levaria duas horas, diz Daust. O objetivo é evitar uma mudança brusca de temperatura, outro fator que agravaria o estado de conservação dos corpos.

Segundo o diretor do instituto, se os corpos puderem ser resgatados, eles serão identificados na França. A Interpol será encarregada de solicitar às autoridades brasileiras o material genético das famílias do Brasil e transferi-lo ao Instituto de Pesquisas Criminais da França.

Com informações da BBC Brasil.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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