Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Berlinale mescla tradição política e "prazeres escapistas"

12 fev 2026 - 10h51
(atualizado às 11h05)
Compartilhar
Exibir comentários

Popular e engajado, festival de cinema de Berlim exibirá mais de 200 filmes de 28 países. Confira os destaques da programação, que traz o brasileiro Karim Aïnouz na disputa pelo Urso de Ouro.O Festival Internacional de Cinema de Berlim, ou Berlinale, cuja edição deste ano começa na quinta-feira (12/02), abre com o drama afegão No Good Men ("Sem homens bons", em tradução livre para o português).

O terceiro longa da premiada diretora Shahrbanoo Sadat se passa na véspera da ofensiva talibã de 2021. Conta a história de uma operadora de câmera de televisão desanimada com a falta de pretendentes românticos interessantes na sociedade profundamente patriarcal do Afeganistão.

Combinando urgência política e comédia romântica, o filme incorpora duas facetas distintivas da Berlinale. Historicamente, é o mais político dentre os três grandes festivais europeus de cinema, ao lado de Cannes e Veneza.

À DW, a diretora do festival, Tricia Tuttle, disse que Berlim "não tem medo de defender e apoiar filmes muito políticos", capazes de "gerar debates difíceis".

Ao mesmo tempo, o evento conquistou grande popularidade, sendo um dos maiores festivais de cinema para o público. A Berlinale do ano passado registrou recorde histórico de vendas, com 336 mil ingressos vendidos ao público.

As mais de 200 obras no programa deste ano também cobrem uma diversidade de gêneros — de terror a comédias românticas e filmes experimentais.

"Todo tipo de cinema é político de alguma forma, mesmo quando se trata de um olhar mais íntimo e pessoal sobre questões culturais e sociais do mundo", argumenta Tuttle.

Ainda assim, ela enfatiza que o evento busca apoiar uma indústria cinematográfica em dificuldades, atraindo um público mais amplo às salas de exibição. Por isso, muitos filmes do programa "são também prazeres escapistas".

Estreias no tapete vermelho

O filme de abertura integra uma seção não competitiva do festival chamada Berlinale Special, que reúne obras selecionadas para estimular debates e adicionar glamour ao festival com diversas estreias no tapete vermelho.

A atriz francesa Isabelle Huppert, que confirmou presença em Berlim, interpreta o papel principal na comédia com toques de horror The Blood Countess ("A Condessa de Sangue", em tradução livre ao português), cujo roteiro ela coassina com a austríaca Elfriede Jelinek, Nobel de Literatura em 2004.

John Turturro e Steve Buscemi estrelam The Only Living Pickpocket in New York (" O único batedor de carteiras vivo em Nova Iorque", em tradução livre ao português), de Noah Segan, que terá sua estreia internacional no festival.

Outras estreias europeias aguardadas incluem o thriller The Weight ("O peso", em tradução livre), de Padraic McKinley, estrelado por Ethan Hawke e Russell Crowe, e a comédia sci-fi Good Luck, Have Fun, Don't Die ("Boa sorte, divirta-se, não morra", em tradução livre), de Gore Verbinski, com Sam Rockwell, Juno Temple e Zazie Beetz.

Outro título muito comentado é The Moment ("O momento", em tradução livre), um mockumentary (também chamado de falso documentário no Brasil) sobre a popstar britânica Charli XCX, que retrata de forma satírica a cantora em suas tentativas de prolongar sua era de fama "brat", nome que deriva do título do seu álbum de maior sucesso.

Diretor brasileiro disputa Urso de Ouro

Há 22 filmes competindo pelos principais prêmios do festival, os Ursos de Ouro e de Prata. Entre os títulos mais comentados está Rosebush Pruning ("Poda de roseiras", em tradução livre), dirigido pelo cineasta brasileiro Karim Aïnouz e estrelado por Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Elle Fanning e Pamela Anderson.

Tuttle o descreve como um "thriller distorcido sobre uma família privilegiada que se desintegra quando segredos sombrios vêm à tona".

Seis vezes indicada ao Oscar, Amy Adams estrela At the Sea ("No mar", em tradução livre), de Kornel Mundruczó, interpretando uma ex-dançarina que enfrenta a sobriedade e uma nova vida após a reabilitação.

Em Josephine, de Beth de Araújo — vencedor do Grande Prêmio do Júri em Sundance, em janeiro —, Channing Tatum e Gemma Chan interpretam os pais de uma menina de 8 anos que testemunhou uma agressão sexual. A cineasta é americana de ascendência brasileira e chinesa.

A atriz francesa Juliette Binoche estrela ao lado de Tom Courtenay, Anna Calder-Marshall e Florence Hunt em Queen at Sea ("Rainha no mar", em tradução livre), de Lance Hammer, que explora o impacto da demência em uma família.

No longa de fantasia de horror Nightborn ("Nascido da noite"), Rupert Grint e a atriz finlandesa Seidi Haarla interpretam pais iniciantes vivendo em uma floresta escandinava.

No ano passado, a produção brasileira O Último Azul venceu o Urso de Prata.

Diversidade nas telas

As obras da competição vêm de todo o mundo, com 28 países contribuindo como coprodutores. Refletindo a efervescente cultura cinematográfica africana, o continente está bem representado por títulos coproduzidos por Guiné-Bissau, Senegal, Tunísia e Chade.

A Alemanha tem três obras como país produtor principal e outras duas em coprodução. Entre as produções alemãs está Rose, de Markus Schleinzer, um drama histórico ambientado no século 18 e estrelado por Sandra Hüller (protagonista de Anatomia de uma queda e Zona de interesse). Ela interpreta a misteriosa soldada Rose, uma mulher disfarçada de homem que chega a uma aldeia protestante isolada.

A diretora alemã Angela Schanelec, duas vezes vencedora do Urso de Prata, retorna à competição com My Wife Cries ("Minha esposa chora", em tradução livre).

Já Ilker Çatak concorre com Yellow Letters ("Cartas amarelas", em tradução livre), que aborda a repressão da liberdade artística na Turquia. O seu drama A sala dos professores, de 2023, foi a submissão alemã ao Oscar de melhor filme internacional.

A competição também inclui gêneros diversos, como uma cinebiografia do renomado pianista de jazz Bill Evans, um anime de Yoshitoshi Shinomiya e um documentário sobre amizade, luto e criatividade, retratado no projeto de dez anos da diretora Anna Fitch.

Revelando talentos

Os vencedores dos Ursos de Ouro e de Prata, que serão revelados em 21 de fevereiro, serão escolhidos por um júri liderado pelo aclamado cineasta alemão Wim Wenders.

Na noite de abertura, o festival também concederá um Urso de Ouro Honorário à atriz malaia Michelle Yeoh, vencedora do Oscar, em reconhecimento a suas realizações excepcionais no cinema, incluindo seus papéis em O Tigre e o Dragão (2000) e Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (2022).

Além da competição principal, o festival reconhece talentos por meio de diversos outros prêmios. O Teddy Award, por exemplo, homenageia obras que exploram temas LGBTQ+. É pioneiro na categoria, celebrando seu 40º aniversário em 2026.

Enquanto isso, a seção Perspectivas reúne 14 longas-metragens de estreia. Essa "competição de primeiras obras" foi criada no ano passado, como parte das mudanças introduzidas por Tuttle em seu primeiro ano como diretora da Berlinale.

"Os festivais têm papel extremamente importante em permitir a descoberta da próxima geração de grandes talentos", disse Tuttle. Observando como o público e os convidados profissionais acolheram a nova competição no ano passado, ela anunciou que a seleção deste ano apresenta novamente "talentos deslumbrantes e filmes cheios de coração e criatividade de tirar o fôlego."

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade