Água com gás causa estufamento? Entenda como a bebida age no estômago e no intestino
Embora seja uma excelente opção para a hidratação diária, a presença do dióxido de carbono pode desencadear gases e desconforto em pessoas com sensibilidade gastrointestinal
A água com gás tem conquistado cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros, despontando como uma alternativa popular para quem busca substituir os refrigerantes ou diversificar a hidratação. No entanto, a presença das famosas bolhas frequentemente levanta dúvidas: a bebida faz bem ou mal para a saúde? Ela hidrata tanto quanto a versão natural? Especialistas explicam que o consumo é amplamente seguro, mas ressaltam que os efeitos no organismo dependem diretamente da sensibilidade de cada indivíduo.
De acordo com a nutricionista Clarissa Fujiwara, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a bebida pode ser integrada perfeitamente à rotina. "Ela pode ser consumida diariamente com segurança, desde que bem tolerada e inserida dentro das necessidades hídricas individuais, observando se manifestam sintomas no próprio organismo", esclarece a especialista ao portal Globo.com.
O segredo da água gaseificada está na adição de dióxido de carbono, o gás responsável por conferir a efervescência característica. O gastroenterologista Michel Fernandes, especialista em doenças digestivas, cirurgia bariátrica e emagrecimento, detalha que esse componente é liberado no estômago logo após a ingestão. Ao expandir-se no órgão, o gás ocupa espaço físico, o que pode gerar uma sensação imediata de estufamento, aumento das eructações (arrotos) e, em cenários específicos, dores e desconfortos abdominais.
Para a maior parte da população, essa reação é sutil e passageira. Contudo, para quem convive com quadros de maior sensibilidade gastrointestinal, o consumo exige critérios e moderação.
Água com gás: quando é recomendado reduzir ou evitar o consumo?
O impacto do gás nas mucosas do aparelho digestivo faz com que médicos e nutricionistas recomendem cautela em casos de diagnósticos prévios. Pacientes com quadros clínicos específicos devem ficar atentos aos sinais do corpo:
-
Gastrite e Refluxo : "Em situações de refluxo ou gastrite, é importante adaptar a ingestão se houver piora desses sintomas gastrointestinais após o consumo de água com gás, especialmente quando o consumo é junto com as refeições ou cotidianamente em grandes volumes", alerta Clarissa Fujiwara. A distensão do estômago pelo gás pode facilitar o retorno do ácido gástrico para o esôfago.
-
Síndrome do Intestino Irritável (SII): Pessoas que sofrem com a SII ou que apresentam episódios frequentes de distensão e estufamento abdominal tendem a acumular gases com maior facilidade, sentindo os impactos da bebida de forma mais intensa.
-
Pós-Operatório de Cirurgias Digestivas: Pacientes recém-operados do trato gastrointestinal, incluindo aqueles que passaram por procedimentos como a cirurgia bariátrica, devem evitar o consumo no período inicial. O acúmulo de gás na região operada pode causar dores agudas que se confundem com possíveis complicações pós-cirúrgicas.
Diante desses cenários, a regra de ouro na medicina e na nutrição baseia-se na individualização do plano alimentar. A avaliação e a orientação médica individualizada permanecem como a melhor conduta para manter a saúde digestiva em dia.
Ver essa foto no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.