PUBLICIDADE

Saiba quem é Tranca-Rua, entidade que fez Ludmilla ser processada após show

Show da cantora no Coachella exibiu cartaz polêmico envolvendo entidade e Jesus. Deputado entrou com ação por intolerância religiosa

25 abr 2024 - 11h04
(atualizado às 11h41)
Compartilhar
Exibir comentários
Foto: Reprodução: Redes Sociais

Tranca Ruas é um exu e espírito venerado nas religiões de matriz africana. A figura ficou conhecida após uma polêmica depois que a frase "Só Jesus expulsa o Tranca Ruas das pessoas" foi exibida durante o show de Ludmilla no Festival Coachella, nos Estados Unidos, neste mês.

Após o caso, a cantora foi acusada de intolerância religiosa e acabou sendo processada pelo deputado estadual Átila Nunes (PSD). O parlamentar usou as redes sociais para informar que também protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitando a retirada do trecho, sob o argumento de que se tratava de "um preconceito contra as religiões de matriz africana".

Na umbanda, no candomblé e em outras religiões com raízes africanas, a persona do Tranca Rua ou Tranca-Ruas é conhecida como uma entidade protetora, uma espécie de guardião dos caminhos. Sua representação inclui um homem vestido com uma capa e uma cartola, segurando um tridente e fumando charuto.

Ludmilla rebate acusação de intolerância religiosa

A cantora Ludmilla, de 28 anos, começou a segunda-feira, 22, se defendendo das acusações de intolerância religiosa. Em seu perfil no X, o antigo Twitter, ela falou sobre as citações que foram exibidas no telão durante seu show no Coachella, nos EUA, e que geraram tanta repercussão.

"Rainha da Favela [a música] apresenta a minha favela, uma favela real, nua e crua, onde cresci, mas, infelizmente, se vive muitas mazelas: genocídio preto, violência policial, miséria, intolerância religiosa e tantas outras vivências de uma gente que supera obstáculos, que vive em adversidades, mas que não desiste. Estou aqui pelo que é real e não essa versão vitrine importada para gringo achar que esse é um espaço que se reduz a funk, bunda e cerveja!", escreveu Ludmilla na rede social.

No Coachella, durante essa música, os telões mostravam diversas imagens, pessoas dançando, empinando pipa e também os problemas de mobilidade que o Rio de Janeiro enfrenta. Em um trecho específico, um cartaz ganhou destaque e atenção do público, com o texto "Só Jesus expulsa o Tranca Rua das pessoas". O frame não pegou bem e colecionou críticas em plataformas digitais.

"Intolerância religiosa é um pilar que afeta muita gente, principalmente nas comunidades, e você reforçar esse viés num espaço de visibilidade internacional não foi legal. Associar entidades de matriz africana ao mal foi feio e desrespeitoso", escreveu um usuário. "A primeira afrolatina a pisar no Coachella trouxe uma mensagem criticando uma religião de origem africana. Realmente, ninguém vai esquecer seu show!", disse outro.

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade
Publicidade