Morte de abusador fez Roberta Rodrigues lembrar violência décadas depois: 'Tinha apagado'
Atriz falou sobre o trauma e os impactos do abuso para a vida adulta
As atrizes Roberta Rodrigues e Helga Nemeczyk relataram abusos sofridos na infância, discutindo os impactos emocionais, o silêncio em torno da questão e a importância de falar sobre o tema para a cura pessoal e coletiva.
A atriz Roberta Rodrigues, de 43 anos, falou publicamente pela primeira vez sobre um abuso que sofreu na infância. No mesmo episódio do De Repente 30+, Helga Nemeczyk, de 45 anos, também relatou ter vivido violência sexual quando era criança.
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“Eu também fui abusada quando era criança. E é engraçado que a minha mente só me fez lembrar disso eu já com 30 e poucos anos na pandemia. Lembro que meu pai ou minha mãe ligou, sei lá, e falou alguma coisa assim: ‘Fulano morreu’. Lembro que foi aí que entendi porque eu não gostava daquele amigo do meu pai, porque que eu sempre agredia ele", disse Roberta. "Veio tudo na minha mente, tinha apagado."
De acordo com a atriz, a partir desse entendimento, atitudes da infância que antes eram interpretadas apenas como sinais de nervosismo passaram a ganhar um novo significado. Roberta também afirmou que essa vivência influencia diretamente a maneira como cria a filha. Segundo a atriz, ela não permite que a menina durma na casa de outras pessoas, nem mesmo de colegas, e aborda desde cedo temas como limites e autonomia, cuidados que ela reconhece também trabalhar em terapia.
Já Helga relatou uma relação distinta com a lembrança do trauma. “Tem gente que apaga e tem gente que não esquece. Eu nunca esqueci”, declarou. A atriz contou que, por muitos anos, acreditou ser responsável pelo abuso sofrido na infância. “Eu sempre achei que a culpa fosse minha, mas eu era uma criança”, afirmou.
De acordo com Helga, foi somente após os 30 anos, com o surgimento de crises de pânico e ansiedade, que ela passou a compreender os impactos de ter reprimido essas experiências.
Ambas também refletiram sobre o silêncio que costuma envolver esse tipo de violência. Roberta destacou que, muitas vezes, as vítimas não são levadas a sério quando decidem se manifestar. “Se você fala, ninguém acredita”, disse.
Marcela Monteiro, apresentadora do programa, ressaltou que esse tabu faz com que muitas mulheres carreguem a dor sozinhas por anos, até encontrarem um ambiente seguro para dividir suas histórias e entenderem que se trata de um problema coletivo. “Essas duas mulheres descobriram que falar salva, que compartilhar cura, e resolveram fazer isso aqui no nosso De Repente 30+”, destacou.