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Ela revolucionou tradicional restaurante em SP: 'Todo mundo me via apenas como esposa do dono'

Vanessa Marthins comanda o restaurante Rony 46, na zona leste de São Paulo, e fez nascer negócios de marmitas

8 mar 2026 - 04h57
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Vanessa Marthins foi encarregada de cuidar do negócio da família e fez sucesso
Vanessa Marthins foi encarregada de cuidar do negócio da família e fez sucesso
Foto: Arquivo pessoal

"O machismo, às vezes, ainda está enraizado na cabeça de muitas pessoas. Quando se vê uma mulher na gestão, ela tem que provar. Enquanto ela não prova, é como se não fosse capaz".

É o que aprendeu a empresária Vanessa Marthins, que hoje comanda o restaurante Rony 46, na Mooca, zona leste de São Paulo, e as operações de delivery que saem da mesma cozinha, entre elas a Marmitaria Paulistana, marca criada por ela e que já responde por cerca de 60% do movimento do negócio.

A trajetória de Vanessa no setor gastronômico, no entanto, começou de forma inesperada. Paulistana, ela não planejava trabalhar com restaurantes. Aos 18 anos, ingressou na faculdade de educação física e imaginava seguir carreira ligada ao esporte. "Eu gosto muito de esporte. Sempre joguei handebol, sempre gostei de natação, então achei que fosse para esse lado", contou ao Terra.

O contato com o universo da gastronomia veio apenas depois do casamento. O sogro já era dono do Rony 46, restaurante tradicional da Mooca que existe há mais de quatro décadas. Inicialmente, Vanessa acompanhava o negócio apenas à distância, cuidando da parte administrativa de casa enquanto se dedicava à criação dos filhos.

Os filhos de Vanessa, Victor, 20 e Giulia Amy, 16, ajudam no restaurante
Os filhos de Vanessa, Victor, 20 e Giulia Amy, 16, ajudam no restaurante
Foto: Arquivo pessoal

"Depois que eu me casei, fiquei em casa cuidando dos filhos, mas eu acho que sempre tive uma pitada de empreendedorismo nas veias", afirma. Mesmo sem atuar diretamente no restaurante, ela buscava oportunidades de renda pela internet, área com a qual tinha familiaridade desde a adolescência. Antes de assumir a gestão do Rony 46, Vanessa abriu seu primeiro negócio próprio: uma loja de mini salgados na porta de uma universidade, chamada Doidos por Coxinha. O empreendimento chegou a crescer, impulsionado principalmente pelo delivery.

“Nem eu imaginava que fosse ter tanta capacidade para tocar um negócio como foi essa loja”, lembra.

A pandemia, no entanto, obrigou o fechamento da operação. Com a universidade sem aulas presenciais, o movimento despencou e o delivery não foi suficiente para sustentar o negócio. Foi após esse período que Vanessa passou a atuar diretamente na gestão do restaurante da família

Mudanças no Rony 46

Ao assumir o comando do Rony 46, Vanessa enfrentou uma série de desafios internos e externos. No início, muitos funcionários ainda a enxergavam apenas como a esposa do proprietário.

"Todo mundo me via como a esposa do dono. Para conseguir respeito e autoridade, foi preciso mostrar na prática tudo que eu era capaz de fazer", afirma.

Ela decidiu promover mudanças estruturais no restaurante, desde o ambiente até os processos internos. "Transformei completamente a cara do restaurante, deixando com um visual um pouco mais sofisticado", explica.

A reformulação também incluiu alterações no cardápio, nas embalagens e na estratégia de delivery. "Eu troquei embalagem, mudei receita, cardápio, tudo o que era possível para chegar no patamar do meu delivery hoje", diz. O restaurante é considerado um caso de sucesso do iFood.

A modernização, segundo ela, refletiu diretamente nos resultados financeiros. "Mudou completamente até mesmo o público que frequentava o restaurante".

O nascimento da Marmitaria Paulistana

"A Marmitaria Paulistana eu tenho um carinho pessoal enorme por ela por ser algo que foi criação minha", diz Vanessa
"A Marmitaria Paulistana eu tenho um carinho pessoal enorme por ela por ser algo que foi criação minha", diz Vanessa
Foto: Arquivo pessoal

A principal aposta de Vanessa, no entanto, surgiu a partir de uma nova ideia de negócio. Observando o crescimento do delivery no setor de alimentação, ela decidiu criar uma marca independente de marmitas que utilizasse a mesma cozinha do restaurante. Assim nasceu a Marmitaria Paulistana.

"A gente já tinha o delivery do Rony 46, mas havia uma certa resistência em mudar completamente aquela estrutura. Então pensei em uma nova marca, com outra roupagem e outra embalagem, tudo saindo da mesma cozinha", explica.

A empresária começou de forma gradual. Nos primeiros dias, comemorava cada pedido. "Quando saíam cinco pedidos no dia, para mim já era maravilhoso". O crescimento foi rápido. "Depois de dois dias, esses cinco pedidos já eram dez, doze", lembra.

Hoje, a marca se consolidou como um dos pilares do negócio. "Graças a Deus ela alavancou de uma maneira que nem eu mesma esperava".

Liderança feminina

"Quando se fala em mulher em restaurante, já passa pela cabeça de que ela pode provavelmente estar na cozinha, ela pode ser a cozinheira, mas dificilmente a gestora".

Empreender na área de alimentação ainda representa um desafio para muitas mulheres, segundo Vanessa. Ela destaca que o setor continua majoritariamente liderado por homens e que, muitas vezes, as mulheres precisam provar sua capacidade.

"O machismo ainda está enraizado na cabeça de muitas pessoas. Quando se vê uma mulher na gestão, ela tem que provar", afirma.

Para ela, conhecimento e domínio das operações são essenciais. "Você não precisa necessariamente saber cozinhar, mas precisa entender cada setor de um restaurante". Vanessa afirma que buscou aprender sobre todos os processos do negócio, do financeiro à cozinha, passando pelo atendimento e logística de delivery.

"Não dá para explicar para o cozinheiro como fazer algo se você não entende do assunto", diz.

O próximo passo, segundo a empresária, é expandir o negócio. "Eu quero a expansão da minha marca, quero novas unidades".

Inspiração

A trajetória de Vanessa também influencia diretamente sua filha Giulia Amy, de 16 anos, que acompanha de perto a rotina da mãe no restaurante.

"Eu vejo nos olhos dela o orgulho que ela sente de mim", conta.

No Dia Internacional da Mulher, Vanessa defende que o primeiro passo para empreender é superar o medo inicial. "A primeira barreira é a própria mulher pensar se vai dar certo ou o que vão falar. Ela tem que ultrapassar essa barreira e simplesmente começar", afirma.

Para a empresária, o empreendedorismo representa mais do que abrir uma empresa. "Empreender é assumir o protagonismo da sua vida e da sua história. Quando você faz isso, tem a capacidade de transformar também a história da sua família".

Fonte: Portal Terra
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